segunda-feira, 4 de abril de 2005

New Order, Waiting for the Siren's Call

Muito tempo esperei. Após vários arranques e paragens lá o encontrei em destaque numa prateleira da fnac, dedicada apenas a este álbum. Até trazia um single grátis como que a compensar pela longa espera. Saíram-me uns bons € 18,95 do bolso mas, agora que já o ouvi, posso garantir que valeu cada cêntimo (o mesmo não posso dizer do single, mas foi grátis por isso a minha remixófobia pode ser posta a um canto).

Podia começar por falar de cada faixa e prolongar este texto com mais onze parágrafos, todos eles de qualidade, mas basta dizer isto para prever que tudo o que diria nessas linhas seria um mero embelezamento das onze faixas que, na correcta "ordem", completam o álbum em perfeição.

O primeiro single do álbum (e o que foi oferecido), denominado de Krafty, é um hino ao nosso excessivo urbanismo e a estes dias que são passados a correr de um lado para o outro. Para destinos indefinidos onde nada fazemos se não limpar algumas horas do nosso calendário de vida que, a cada dia que passa, fica mais curto. Tretas (mas achei que soaria muito poético, ou meramente melódico), o que realmente interessa para um verdadeiro fã como eu são os ritmos. O baixo do Hooky que parece não se deteriorar com a idade e aquela voz do Bernie que foi de esganiçada a quase divinal (quem ouviu o álbum Movement percebe o que eu quero dizer com isto). 

Um regresso aos ritmos do Technique com a essência do Republic. Foi a primeira ideia que tive após o leitor de CD's fazer aquele barulho de um disco a derrapar que seria mais irritante com um aumento de uns vinte decibéis (e eu não percebo nada disso!). 

Acho que nem vale a pena dizer que aqueles álbuns são um "must" para qualquer interessado. Os preços são acessíveis já que não passam dos € 10 mas, como os vossos bolsos são cépticos a novas experiências, podem sempre "sacá-los" de qualquer programa que sirva para esse efeito (coisa que me desagrada muito, mas não se pode contrariar as massas se não, não há lasanha para ninguém).

No entanto, apenas consigo ouvir de ânimo leve (não sei escrever "ânimo" processem-me se vos fizer feliz) cinco ou seis das onze faixas incluídas no álbum. Como dizem os islâmicos, apenas Deus é perfeito, o que é um paradoxo já que os New Order são considerados "Godlike geniuses" ("tão génios como deuses" para os leigos). "Morning, Night and Day", "Krafty", "Dracula's Castle" e "Waiting for the Siren's Call" (fora qualquer uma que me tenha esquecido) são as faixas que realmente identificam este álbum como um dos melhores álbuns que estes deuses alguma vez criaram.

Phill Cunnigham fez um bom papel ao substituir a Gillian. No entanto, continuo a lamentar a sua saída da banda, o seu toque pouco feminino sempre animava as coisas.

Talvez um artigo que não se conecta com os anteriores mas sabe bem falar daquilo que se gosta de quando em vez (como eu odeio este termo).

P.S.: Não, não estou de mau humor. As mensagens subliminares são para ser investigadas, não induzidas. 

Publicado em 27 de Maio de 2013

domingo, 13 de fevereiro de 2005

As palavras que nunca te direi

Imagem: Pia Carrot

Um bom filme na opinião de muitas pessoas que o viram, e um bom livro pelo que a minha mãe me disse. Mas não quero entrar em pormenores já que me é vaga a memória de o ter assistido. 

Ao entrar na página dos blogues da Sapo, ao tentar procurar inspiração, deparei-me com este título e fui explorar o blogue que lhe pertencia (deixo aqui o endereço para todos aqueles curiosos, http://micro.blogs.sapo.pt). O blogue, essencialmente, aborda aquele assunto que todos pensamos dominar e entender, mas que na verdade não fazemos a mínima ideia do que é quando nos sentimos dominados por ele. Estou claro a falar do amor. 

Apesar de estarmos nas proximidades desse dia terrível e incrivelmente fútil, o dia de S. Valentim, este artigo nada tem a ver com isso... Não, acabei de mentir, esse é um dos dias que eu mais odeio do ano todo, mas prefiro não entrar em pormenores. Contudo, esta época em que falsos sentimentos tendem a deturpar o significado do amor, fez-me pensar mais nesse tema e decidi tentar exprimi-lo. Também, qual seria o propósito de ter um blogue se não falasse do sentimento que tomou conta do meu ser?

Talvez me considerem um romântico sem ajuda (não era isto que queria dizer mas não consigo traduzir hopeless romantic) mas acredito mesmo que existe aí algures uma tal de person only for me e que eu sou esse tal para essa laranja que um dia irá rolar contra mim. 

Se acredito no destino? Em almas gémeas? No amor à primeira vista? Não sou capaz de responder a essas perguntas. Talvez sejam apenas mitos urbanos como a pomba que salvou uma aldeia de um terramoto, mas talvez acredite mesmo em alguns deles. Ou não teria esta esperança que talvez muitos considerem estúpida e insensata. Mas eu não quero saber o que esses pensam. Talvez apenas a inveja de não conseguirem ser tão abertos os faça agir assim e dar conselhos dessa natureza. 

Creio estar a virar-me demasiado para a controvérsia e a desviar-me do assunto, por isso vou retomá-lo. Eu próprio não sei descrever o "amor". Talvez seja tudo aquilo que o autor do blogue que visitei tenta transmitir. Ou talvez ainda algo mais. Ou até mesmo algo completamente diferente. 

Uma fantasia de criança, acreditar que existe alguém para cada um aí fora. É o que muitos pensam. Eu continuarei a dizer que estão errados pelo menos até ao dia em que destruírem toda a essência do meu ser.

Neste dia, que será amanhã, talvez devam reflectir antes de dizerem que amam alguém quando o que sentem não se aproxima nem de um mero "quero tanto estar perto de ti". Talvez sempre tenha desejado poder depender de alguém, ou ter alguém a depender de mim. Ou talvez nunca tenha sentido aquele carinho verdadeiro e aquele sentimento de segurança que tanto procuro, mas sei que um dia o terei , assim como ainda muito mais. Acredito que o amor verdadeiro é muito mais do que isso, e que um dia também o sentirei. 

Com isto não quis falar mal de ninguém. Cada um tem o direito de agir da maneira que entender melhor. Mas deixo-vos isto, e este outro blogue, para que possam reflectir mais um pouco. Com sorte deixarão de pensar tão trivialmente.

Publicado em 23 de Maio de 2013

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

End of the World

Muitas vezes descrito como a grande cascata. O fim do Mundo era o local onde, em tempos idos, as embarcações iam para se naufragar quando chegavam a um dos cantos do planisfério que era a Terra. 

Mas agora a Terra é redonda, como uma bola ou uma laranja, e o fim do Mundo já não é encarado como a recta final numa etapa da Volta ao Alentejo, mas sim como o dia em que esta amora azul explodirá, ou, simplesmente, decidirá acabar com uma praga que a atormenta. Praga essa que se autodenomina de Homo Sapiens Sapiens (que raio de sábio, não acham?!). 

O Armageddon (não, não me estou a referir ao filme com o Ben Affleck e com aquela outra actriz que também aparece no Senhor dos Anéis) um dia irá chegar. Seja por causa de um asteróide ou de um cometa de gigantes proporções, um global killer, como diziam no filme Impacto Profundo. Ou até mesmo por um acto deste "sábio" que, sem nada saber, dirá um dia "ups" e acabaremos todos nas cinzas. 

Esta introdução pouco ou nada terá a ver com aquilo que me fez escrever este artigo. Enquanto olhava para outros blogues – particularmente para o blogue de uma lésbica que me cativou com um dos seus artigos – lembrei-me de um sonho. Muito estúpido, tal como muitos outros que já tive, mas não tão pouco marcante como aqueles sonhos românticos (não, nada dessas cosias que pensam) que davam para vender a Hollywood, e que esta rapidamente os estragaria... 

Neste sonho eu deparo-me com o fim do mundo, e, no momento final, onde não há mais esperança por onde nos agarrarmos, agarrei-me à minha família em frente da televisão. Enquanto fechava os olhos à espera do "BOOM", nada se ouviu, apenas vi um grande clarão. Saí de seguida à rua e vi uns objectos muito estranhos no céu nocturno. 

Volto para casa e vejo na TV dizerem que a Terra tinha ficado em pedaços mas que estranhamente os pedaços continuavam a sustentar vida. Este sonho ficou, a sua estranheza também, talvez eu quisesse dizer a mim próprio que sempre haverá esperança, ou que sempre existirá uma continuação. Mas não o sei, e também não sei porque estou a escrever isto, nem porque o vou publicar, mas já está, e, como costumo dizer, é isso!

Publicado em 22 de Maio de 2013

terça-feira, 25 de janeiro de 2005

Peace


Procuro pela minha paz numa luta intensa. Onde a vitória de algumas batalhas não serve para iluminar uma simples vela perdida num deserto de mágoas. 

Há um ano atrás, enquanto ouvia o relato de um jogo de futebol entre o Vitória de Guimarães e o SL Benfica, presenciei, tal como muitos milhares de portugueses, o apagar de uma dessas velas. Miklos Féher (Miki) chegou ao fim da sua guerra que triunfalmente venceu enquanto concretizava o seu sonho. Sonho esse que desejou e onde nele pereceu.

Pergunto-me se para encontrar esta paz também terei que perecer no campo de batalha, enquanto olho em minha volta e sorrio com o meu último e derradeiro triunfo. A resposta a esta pergunta algum dia irei saber, mas, por enquanto, ela manter-se-á no ar. 

Aquele 25 de Janeiro de 2004 fez-me despertar para a procura do propósito de aqui estarmos. Porquê tudo isto se, de um momento para o outro, a nossa luz se pode apagar sem que possamos fazer alguma coisa para o impedir? 

A verdade é que nada podemos fazer. Apenas sabemos que algum propósito temos que ter. Por mais insignificante que ele seja. Mesmo que a longo prazo notemos que não o é, nem nunca o foi. 

Temos que continuar a viver e, nesse mar de vida, temos que viver o sonho e navegar nele. Se naufragarmos, que seja pelo menos a bordo do sonho que comandou a nossa vida. 

Publicado em 21 de Maio de 2013

segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

O Gato que vive debaixo de minha casa

Mais um dia sufocante passou. Daqueles em que respirar é mais que o simples acto de relaxamento do diafragma. Daqueles em que me sinto como se estivesse a afogar num oceano profundo e distante em que por mais que tente nadar para tentar encontrar a superfície apenas vejo escuridão. Escuridão e aquele terrível sentimento de não poder fazer nada. Sentimento de apenas ter como solução deixar a morte me absorver.

Nesse dia, como todos os outros dias sufocantes, que, com raras excepções (sublinhava raras se não achasse que estragava a estética deste artigo e também por não o saber fazer), se equivalem a todos os dias desta leda e isolada substância que na realidade é reconhecida como "eu". 

Nesse dia, ia eu a caminho de uma rocha alaranjada onde um pouco de ar lá soprava, embora envenenado, quando me deparo com uma porta estreita e inexplorada, que, apesar de tudo, sempre soube da sua existência, mas preferia ignorá-la. Enquanto andava na sua direcção decidi deixar o ar envenenado esperar apesar de ser a minha única hipótese de viver e fui até à entrada dessa porta. 

Nela, encontrava-se um gato preto e branco com olhos reluzentes e esverdeados que me olhava com receio. Receio daquele que nada lhe podia ou iria fazer. Receio daquele que apenas quer respirar, pois viver com 5 minutos diários de ar envenenado não é vida. O seu medo passou por mim, como passou a borboleta que vi na minha última visita à superfície, mas tal como a sua beleza, ficou também o receio deste pobre coitado que apenas usa o buraco debaixo da minha casa como refugiu das águas sufocantes. 

Sinto-me como ele, mas, ao contrário dele, não desistirei da minha tentativa de rumar à superfície, até que o ar envenenado me mate...

Publicado em 20 de Maio de 2013