sexta-feira, 16 de março de 2012

Nas Pegadas de Fátima

A antiga Pedreira do Galinha revelou um rico sítio paleontológico
Lugar de peregrinação para milhões de fiéis devotos em todo o Mundo, Fátima esconde segredos naturais que vão além do seu Santuário. Edificada no vale da Serra de Aire em 1568, a cidade de Fátima está rodeada por algum do mais importante património geológico da Península Ibérica. As Grutas de Mira de Aire, e o Monumento Natural das Pegadas de Dinossauros, são os principais atractivos desta região.

Maravilhas do novo milénio

As Grutas da Serra d’Aire são uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal
Recentemente classificadas como uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal as Grutas de Mira de Aire são as maiores grutas turísticas de Portugal. A sua extensão atinge já os 11 kms, mas apenas 600 metros são abertos ao público. Descobertas por mero acaso por locais, as grutas serviram em tempos como uma segunda casa para os pastores da região se abrigarem do forte calor que se faz sentir durante o Verão ribatejano.

Além das habituais estalagmites e estalactites, os visitantes têm a oportunidade de observar um espectáculo de cores subterrâneo sob o brilho das cataratas e cursos de água interiores. Para aqueles mais supersticiosos, convém levar alguns trocos para lançarem os vossos desejos numa das pequenas fontes da gruta. Inauguradas em 1974, as Grutas de Mira de Aire já receberam mais de 6 milhões de visitantes. 

Bairro do Jurássico

No detalhe do solo, a pegada deixada há 175 milhões de anos por um dinossauro
Localizado na pequena vila de Bairro, concelho de Ourém, o Monumento Natural das Pegadas de Dinossauros é o mais emblemático espólio paleontológico português. Descobertas a 4 de Julho de 1994 na antiga Pedreira do Galinha, as Pegadas da Serra de Aire são compostas por 20 trilhos, considerados os maiores e os mais antigos trilhos de saurópodes (dinossauros de pescoço comprido) de que há conhecimento, mas também, dos mais bem conservados, sendo compostos por mais de 1000 pegadas.

Formadas há 175 milhões de anos, durante o Jurássico Médio, estas pegadas são um tesouro recém-descoberto do passado da Terra, quando a Europa ainda se encontrava ligada à América do Norte, onde entre a Península Ibérica e o actual Canadá, existia um mar pouco profundo de águas límpidas e quentes. Este ambiente proporcionou as condições ideais para a boa preservação destes vestígios fósseis.

Representação de um saurópode similar aos que habitaram esta região
Além das pegadas, os visitantes têm ainda ao seu dispor um trilho de natureza com informação sobre a história geológica da Serra de Aire, um jardim Jurássico que figura algumas das plantas abundantes na altura, além de uma área de animação, um Centro de Educação Ambiental, um parque de merendas e um grande painel ilustrativo da evolução da vida na Terra.

Estrelas de Fátima: O segredo está no doce

O melhor da pastelaria portuguesa (com reflexo na vitrine)
Antes de partirem em viagem, aconselho que dêem um salto à Pastelaria Milano, mesmo à saída do Santuário de Fátima. A sua especialidade são uns pequenos doces chamados Estrelas de Fátima. Feitos com ovos-moles, açúcar e noz, estas pequenas iguarias estão garantidas para elevar o vosso paladar ao mais alto dos êxtases gastronómicos. Exclusivas das Pastelaria Milano, são paragem obrigatória, especialmente depois de uma tarde de caminhadas em volta da Serra de Aire.

Publicado em 16 de Março de 2012 no Blogue Vontade de Viajar
Reeditado em 12 de Setembro de 2013

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

O Milagre

Nossa Senhora de Fátima
Recentemente li um livro intitulado "O Terceiro Segredo". O autor, de nome Steve Berry, é um americano que já desde tenra idade se fascinou por Fátima. Apesar de ser um bom português, não imaginava quão grande era o impacto que Fátima tinha no resto do mundo. 

Todos acordámos em certas manhãs, e ligámos a TV para ver as celebrações das Eucaristias em Fátima. Milhares de fiéis sempre presentes, faça chuva ou faça sol. Todos ali, atentos às palavras do sacerdote que a estivesse a celebrar. 

Embora já tenha visitado Fátima várias vezes, nunca reparei na mediatização que existe à volta dela, nem no número gigantesco de fiéis que a ela são atraídos todos os anos, provenientes dos quatro cantos do mundo. Eu sei que a Terra é quase uma esfera, e que por isso não tem cantos, mas isso fica para outro artigo.

Era 1917, três pastorinhos guardavam o seu rebanho na Cova da Iria, assim era chamado o local, quando as suas atenções são desviadas para uma senhora de branco. Quase cem anos depois, o sentimento de espanto das pessoas que presenciaram a sua última aparição, quando assistiram, perplexas, ao Sol a dançar no céu, continua a atrair os fiéis. Tudo por uma questão de fé? Não o diria de outra maneira.

Muitas pessoas descreditaram as aparições, argumentando que o que se passou não era mais do que um episódio de histeria em massa. Também sou um desses cépticos contudo, gostaria de ter estado lá, para testemunhar com aquelas pessoas o que verdadeiramente se passou. 

Penso em todas as questões que se levantam, e em toda a vontade de desacreditar o que lá aconteceu. Mesmo assim, quase cem anos depois, continuo a ligar a TV, e a ver o Santuário apinhado de gente. Não seria tão bom que esta história fosse real? Qual é o mal em ter um pouco de fé? Não é ela que nos ajuda a encontrar um significado para a vida? Ou a aceitar que a vida tem um significado? 

Para mim, é difícil aceitar isto tão abertamente. Tive que esperar até ser Confirmado para começar a questionar verdadeiramente a minha fé. Como alguém uma vez me disse, não devia ter feito o Crisma se não estivesse pronto. E não estava. Mas agora sou um Confirmado, pelo menos aos olhos da Igreja. Mas o assunto, não sou eu, nem essa instituição, o assunto é Fátima. 

A Nossa Senhora, a "Virgem", a Madona, a Mãe de Jesus, desceu aos céus para dar três mensagens a três pastorinhos. Ou melhor, a dois, pois Francisco nunca chegou a ouvir o terceiro. 

No romance de Steve Berry, o terceiro segredo revelado por João Paulo II no ano 2000, era o tema principal. A premissa do livro afirmava que faltava uma parte do segredo, e que o Papa esqueceu-se de a dizer, por desconhecer a sua existência. Essa mensagem, como qualquer leitor viria a descobrir no fim, era uma mensagem de aceitação. Aceitação do amor em todas as suas formas, mesmo por parte de "Homens de Deus". Aceitação do direito da Mulher em escolher se vai ou não ser mãe. Resumidamente, a quebra de todos os dogmas que a Igreja tem vindo a reivindicar através da "palavra" de Deus. 

Mas este livro, ao contrário de outros, não desacreditava o papel da Igreja. Apenas lhe dava um empurrão para que esta pudesse mudar, e adaptar-se àquilo que os Céus realmente querem ver-nos a fazer cá em baixo. 

Na verdade, com um Deus tão liberal, e com um Terceiro Segredo de Fátima tão apelativo, até ponderava tornar-me crente. Pelo menos, aprendi a não ignorar este milagre que aconteceu aqui tão perto de nós, e que para todo o sempre dará outro sentido, não só a Portugal, mas à nossa própria existência.

Publicado em 3 de Julho de 2013