terça-feira, 20 de maio de 2014

Lisboa, Menina e Moça

Praça do Comércio
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida.

Lisboa Menina e Moça, Carlos do Carmo

Lisboa é uma cidade diferente. Uma cidade de contrastes. Porto de entrada na Europa, Lisboa reflecte uma mescla cultural presente na sua arquitectura, nos seus costumes, e nas pessoas que hoje habitam a capital portuguesa.

Destruída quase na sua totalidade pelo terramoto de 1755, a cidade das sete colinas foi alvo de um grande empreendimento de reconstrução protagonizado pelo Marquês de Pombal. A arquitectura pombalina, com maior representatividade na Praça do Comércio, também conhecida como Terreiro do Paço, é caracterizada pelas avenidas largas organizadas em traçado ortogonal, e por prédios baixos e extensos, sustentados por um engenhoso sistema de suportes em madeira.

A Rua Augusta, hoje conhecida pelas suas lojas de marcas de gama alta, e pela sua figuração em filmes como “As Viagens de Gulliver” de 1996, é o principal postal da cidade, e uma passagem obrigatória para o mais comum dos viajantes. Inaugurado no Verão de 2013, é hoje possível subir ao miradouro do Arco da Rua Augusta, para observar uma das mais emblemáticas vistas panorâmicas que esta cidade tem para oferecer.

Eléctrico e Calçada Portuguesa
A par das confeitarias típicas desta zona, a baixa de Lisboa é composta por uma amálgama de pontos de interesse. Do Teatro Nacional D. Maria II, ao Museu do Design e da Moda, passando pelo Chiado, pelo café “A Brasileira” onde pode fazer companhia a uma réplica em bronze do poeta Fernando Pessoa, ao elevador de Santa Justa, e ao inevitável Bairro Alto. Um bairro pitoresco, construído sobre um labirinto caótico, herança da ocupação árabe da cidade até à sua conquista no Cerco de Lisboa em 1147.

O Bairro Alto é a “la movida” lisboeta. Com uma grande oferta de bares, as noites de quinta, sexta e sábado são ocupadas por jovens que saltam de porta em porta, de Fado a Hip-Hop, de Rock a Kizomba, de Jazz a música electrónica, há espaços, e música para todos os gostos.

Para os amantes da fotografia, Lisboa faz jus ao seu nome de cidade das sete colinas, disponibilizando uma série de miradouros que permitem captar as diversas facetas da capital. O já referido Arco da Rua Augusta é apenas o mais recente membro de uma família que incluí locais como, o Miradouro da Graça, Santa Luzia, São Pedro de Alcântara, o Castelo de São Jorge, e as Portas do Sol, num total de quinze locais que proporcionam um roteiro extenso pelos pontos menos conhecidos da cidade.

Castelo de São Jorge visto do Elevador de Santa Justa
Contudo, é possível que a melhor vista da cidade esteja ao abandono. Para aqueles com espírito de aventura, o velho edifício panorâmico de Monsanto é um bom local para contemplar a metrópole lisboeta, com o extra deste incluir uma visita com uma componente arqueológica, e também ela sinistra, de um edifício abandonado e em ruínas.

Políticas de centralização, e má distribuição de recursos, fazem de Lisboa o epicentro cultural, histórico, e científico de Portugal. Com inúmeros teatros e salas de espectáculo, difícil é não encontrar um dia com eventos de projecção internacional a decorrer em uma delas.

O Oceanário, e o Zoo de Lisboa, são duas das principais atracções da cidade, que contrastam com o passado colonialista do antigo Império Português, e que são hoje espaços educativos, virados para a investigação e recuperação de espécies em vias de extinção. A fachada ostensiva do Museu de História Natural e Jardim Botânico de Lisboa, é um bom local para visitar com entradas gratuitas aos Domingos de manhã, uma extensa colecção permanente, e uma variedade de exposições temporárias, capazes de alimentar os sonhos da mente mais curiosa.

Mosteiro dos Jerónimos em Belém
Belém é uma boa sugestão para um calmo final de tarde, a ver o pôr-do-sol sob o rio Tejo. Com a ponte 25 de Abril, a “Golden Gate” portuguesa, no horizonte, o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém e o Padrão dos Descobrimentos no fundo, esta é uma zona de passagem obrigatória para quem gosta de boa confeitaria. Os famosos Pastéis de Belém, são apenas encontrados aqui n’A Antiga Confeitaria de Belém, ao lado dos Jerónimos.

Com as Docas e o Bairro Alto como pontos principais de diversão nocturna, deixo como alternativa a Fábrica de Braço de Prata. Um espaço multicultural, aproveitado de uma antiga fábrica, onde figuram exposições de arte urbana, bares, concertos ao vivo, e dança contemporânea, entre outros eventos que dão vida a este espaço pela noite dentro.

Lisboa é uma cidade de Fado. Bairrista. De Marchas Populares, e de tradição. Lisboa é uma metrópole moderna, virada para a Europa e para o Mundo, com raízes romanas, celtas, árabes, lusitanas, portuguesas e africanas.

Padrão dos Descobrimentos
Lisboa não é uma cidade portuguesa, nem tão pouco uma cidade representativa da alma portuguesa. É sim um porto internacional, criado sob uma bandeira de portugalidade que ainda hoje se encontra na sua mais básica componente, mas que cada vez mais perdeu a sua ligação com o resto do país. Contudo, continua a ser uma boa casa de partida para aqueles que pretendem aventurar-se pelo resto do país, e um destino a não perder.

Publicado em 20 de Maio de 2014 no blogue Vontade de Viajar
Reeditado em 19 de Junho de 2014

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Romance às Portas de Amesterdão

Amesterdão: Liberdade, drogas, prostituição, noite. Por mais que tentem convencer a vossa cara-metade que apenas querem lá ir para ver os quadros de Van Gogh, visitar o Madame Tussauds, passear pelos canais e sentir a melancólica atmosfera da Casa de Anne Frank, desenganem-se. Ela não vai acreditar. Não vale a pena sequer dizer que os jogos do Ajax, e o Hard Rock Café, são os únicos pedaços da vida nocturna da capital holandesa que têm ideias de experimentar. Se vais a Amesterdão, vais acabar a noite no Red Light District. Quer queiras, quer não, é inevitável.

Como resolver esta situação e conjugar o melhor dos dois mundos? A solução mais simples é levá-la contigo e aproveitar a viagem para cultivar o romance na vossa relação.

Santpoort Noord - Holanda - (foto de Adriano Cerqueira para o blog Vontade de Viajar)

Santpoort Noord, contraste e relaxamento

Espera aí. Romance? “Essa é provavelmente a última palavra que alguma vez pensei ver associada a Amesterdão”, pensas tu. Mas a poucos quilómetros dessa “metrópole do pecado”, encontras Santpoort Noord. Uma pequena cidade nos arredores de Haarlem. Rodeada por floresta, parques verdejantes, e a pouca distância da praia, esta pacata localidade não tem um único prédio acima de três andares.

Caracterizada pela típica arquitectura holandesa, Santpoort é uma comunidade de casas individuais, com estradas em tijolo, ciclovias e trilhos para caminhadas. A maioria das casas tem um jardim à sua volta e grandes “montras” em lugar de janelas. Não estranhem ver as famílias locais a conviverem calmamente nas suas salas, como se estivessem a expor a sua vida privada para quem por ali passa. É um acto normal para eles, contudo, é considerada má educação, ficarem ali parados a olhar. Controlem o vosso instinto de voyeurismo e, simplesmente, ignorem.


Subir para a Praia, e Nortadas a sério

Se caminhar pela floresta e andar de bicicleta não é bem do vosso agrado, podem sempre ir passear à praia. Durante o Verão, especialmente no final de Julho, é comum organizarem-se luaus, e outras festas junto ao mar. As praias holandesas são bem diferentes daquelas que podem encontrar em Portugal ou Espanha. Antes de chegarem ao mar, passam por enormes morros, ou diques, que separam a constante ameaça das ondas dos restantes terrenos. Afinal de contas existe um motivo para se chamarem Países Baixos. Sabem como normalmente têm que descer para ir à praia? Em Santpoort têm que subir!

Assim que lá chegam, o primeiro obstáculo que vão sentir é o vento. Se pensam que as nortadas são más, é porque nunca passaram por isto. A erosão provocada pelo vento é tão forte que a própria areia parece farinha. Muito agradável de se sentir por entre os dedos dos pés, mas pouco prática para o típico veraneante que gosta de torrar ao sol, e dar um ocasional mergulho no mar.


Por entre Moinhos e Tulipas

Mesmo no centro de Santpoort podem encontrar o Brasserie De Wildeman, um pub com esplanada que também serve refeições. Um bom espaço para relaxarem, acompanhados por uma cerveja Amstel. Podem também experimentar a típica comida holandesa. Muito à base de fritos, não é a mais saudável, confesso, mas não é má de todo.

A região de Haarlem é famosa pelos seus moinhos e plantações de tulipas. Se visitarem durante a Primavera, vão ser maravilhados por campos coloridos que se estendem até ao horizonte. Se for o caso, aconselho-vos a alugarem um carro para poderem explorar bem essa região. Um bom espaço para o fotógrafo amador iniciar um portfólio florido para partilhar com os seus amigos.

Foto: Adriano Cerqueira

De Weyman, o fim ideal para um dia perfeito

Cansados após um longo dia de passeio? A noite de Amesterdão deixou-vos de rastos? Nada como o Hotel De Weyman. O local ideal para relaxarem e passarem uma noite calma a dois. Por fora, De Weyman quase que passa por mais uma casa holandesa, contudo, é bastante espaçoso. Os donos são simpáticos, falam um inglês fluente, e estão sempre disponíveis para vos ajudar. O próprio Hotel tem um bar, e também serve refeições.

Cheiraram as tulipas, passearam pela praia, e beberam uma Amstel no De Wildeman. Está na hora de finalmente darem um salto a Amesterdão. Embora ir de carro possa parecer uma opção mais cómoda. Os vossos bolsos vão agradecer se forem de comboio. Os parques de estacionamento em Amesterdão, embora comuns, são excessivamente caros. Em algumas zonas, podem mesmo chegar a cobrar seis euros por hora. Os comboios entre Santpoort Noord e a capital holandesa são bastante regulares, e a viagem não demora mais de meia hora.

Santpoort Noord é uma agradável alternativa à confusão metropolitana de Amsterdão. Um contraste improvável entre uma noite boémia, e umas férias românticas, a poucos quilómetros de distância.

Publicado em 25 de Setembro de 2013 no Blogue Vontade de Viajar
Reeditado em 10 de Outubro de 2013

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O Regresso

Foi em finais de 2004 que comecei a dar os primeiros passos no universo da blogosfera. Blue Dove. Assim se chamava o meu primeiro blogue. Alocado na velha plataforma de blogues do Sapo, Blue Dove foi até ao início de 2006 o espaço predilecto para partilhar os meus pensamentos, as minhas histórias, as minhas ideias, a minha arte, mas, acima de tudo, a minha voz.

No dia 17 de Janeiro de 2006 decidi dar um novo rumo à minha aventura como blogger e criei o meu blogue actual, o No Sense of Reason. Deixei o Sapo para trás e juntei-me à comunidade do Blogspot. Embora o No Sense seja o único blogue que actualizo com alguma regularidade, ao longo dos anos fui criando novas plataformas por necessidade de me dedicar a temas e linguagens mais específicos.

Janeiro de 2007 viu nascer o Story Writer, um blogue que durante alguns anos mantive secreto. Dedicado apenas à divulgação dos meus contos originais e de capítulos de histórias maiores, Story Writer era o espaço onde eu acumulava e arquivava todos os contos que escrevi e que publiquei na blogosfera desde os inícios do Blue Dove. Eventualmente comecei a produzir conteúdos únicos para este blogue, contudo o meu perpétuo writer’s block impediu-me de o manter actualizado de forma regular. 

Nesse mesmo ano, em Julho, criei a Antologia do Eu, um blogue que tinha como único objectivo divulgar a minha escrita lírica. Tal como o Story Writer, este blogue também continha poemas que já tinham sido publicados noutros blogues e alguns inéditos que eu mantinha guardados nas minhas gavetas. Antologia do Eu tem a particularidade de a maioria dos seus poemas não terem título, sendo numerados consoante a data de publicação em numeração romana. 

Dois mil e sete foi mesmo um ano rico para a expansão da minha blogosfera pessoal. Por motivos académicos criei um blogue com o nome 25 de Julho. Alusão ao feriado e dia da cidade da minha terra natal, Ovar. Criado em Março desse ano, ao longo dos anos usei-o como uma espécie de portfólio onde divulgava alguns trabalhos académicos. Posteriormente transformei-o num blogue noticioso dedicado ao arquivo das notícias e reportagens que escrevi para o jornal Praça Pública. 

Foi preciso esperar até 2009 para que a minha blogosfera ganhasse uma nova face e um novo membro. Em Janeiro de 2009, em comemoração do terceiro aniversário do No Sense of Reason remodelei o seu design, actualizei o template e redistribui as ordens de publicação da minha blogosfera pessoal. Também por motivos académicos criei o Mercúrio do Porto, blogue que mantenho ainda hoje para divulgar notícias que escrevi nas entidades onde trabalhei, assim como alguns projectos que desenvolvi ao longo do meu Mestrado. 

Vi-me assim com cinco blogues por entre as mãos e sem tempo para dedicar a todos eles. Acabei por privilegiar o No Sense of Reason em detrimento dos restantes. Volta e meia actualizo o Mercúrio do Porto, ainda hoje mantendo-se como um blogue de apoio ao meu portfólio. Já os restantes dependem muito da minha inspiração e desbloqueamento criativo. 

Para meu desgosto, descobri há alguns meses que o meu velhinho Blue Dove foi deitado abaixo pela Sapo sem qualquer aviso prévio. Embora já não o actualizasse há oito anos, agradava-me saber que ele continuava ali como registo dos meus primeiros devaneios na arte da escrita e do pensamento criativo. Volta e meia encontrava-me a ler um ou outro dos meus velhos artigos. Emocionava-me com as recordações que eles traziam e usava algumas das suas frases como inspiração para os meus projectos futuros.

Vê-lo ficar offline após tanto tempo foi um duro golpe que me fez perder toda e qualquer confiança na Sapo. Senti um profundo vazio como se parte de mim tivesse sido apagada para todo o sempre. Felizmente mantive um arquivo digital de todos os artigos que publiquei naquele blogue. 

Há já algum tempo que tenho vindo a pensar sobre uma forma de voltar a repor estes meus pedaços de identidade online. Inicialmente ponderei simplesmente publicá-los, um a um, no No Sense. Contudo, isto criaria uma anormalidade de cinquenta e muitas publicações num único mês. Para não falar de uma eventual confusão ideológica entre o actual estilo do No Sense of Reason e a emoção em bruto do Blue Dove. 

Aliado a isto tinha também o problema dos outros blogues que nos últimos anos têm estado relativamente inactivos. Juntando o útil ao agradável, cheguei à conclusão de que a única forma de resolver este problema seria criar uma nova plataforma dedicada ao arquivo do antigo Blue Dove e dos restantes membros da minha blogosfera. 

Sob o domínio A Flock of Blue Doves, nasce assim o novo membro do universo No Sense. De cara lavada, a nova reencarnação do Blue Dove vai inicialmente funcionar como um arquivo. Diariamente de Domingo a Quinta-feira serão publicados os velhos artigos do primeiro Blue Dove. Cada um deles será reeditado com o objectivo de corrigir eventuais erros ortográficos ou de sintaxe, contudo não irei alterar qualquer aspecto do seu conteúdo. 

Terminada a reposição de todos os artigos do Blue Dove serão também publicados e reeditados os arquivos de Story Writer, Antologia do Eu e 25 de Julho. 

Após esta fase o blogue continuará a funcionar no mesmo âmbito que os restantes funcionam. Embora os meus artigos de opinião continuem a ser publicados no No Sense of Reason, assim como as minhas notícias, press releases e textos afins vão continuar a ser publicados no Mercúrio do Porto, todos os meus contos e poemas vão passar a ser divulgados neste blogue. 

Não pretendo com isto pôr a baixo nenhum dos blogues que vão deixar de ser actualizados. O Story Writer, o Antologia do Eu e o 25 de Julho vão permanecer online por tempo indefinido com o objectivo de salvaguardar as datas de publicação do seu conteúdo e também para servirem como memorabilia do meu passado como blogger. 

Os fãs do No Sense of Reason não precisam de se preocupar, esse continuará a ser actualizado com a frequência do costume.

Hoje dou um passo decisivo na restauração da minha memória online. No espírito do velho Blue Dove: Believe in me and I’ll believe in you!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Nas Pegadas de Fátima

A antiga Pedreira do Galinha revelou um rico sítio paleontológico
Lugar de peregrinação para milhões de fiéis devotos em todo o Mundo, Fátima esconde segredos naturais que vão além do seu Santuário. Edificada no vale da Serra de Aire em 1568, a cidade de Fátima está rodeada por algum do mais importante património geológico da Península Ibérica. As Grutas de Mira de Aire, e o Monumento Natural das Pegadas de Dinossauros, são os principais atractivos desta região.

Maravilhas do novo milénio

As Grutas da Serra d’Aire são uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal
Recentemente classificadas como uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal as Grutas de Mira de Aire são as maiores grutas turísticas de Portugal. A sua extensão atinge já os 11 kms, mas apenas 600 metros são abertos ao público. Descobertas por mero acaso por locais, as grutas serviram em tempos como uma segunda casa para os pastores da região se abrigarem do forte calor que se faz sentir durante o Verão ribatejano.

Além das habituais estalagmites e estalactites, os visitantes têm a oportunidade de observar um espectáculo de cores subterrâneo sob o brilho das cataratas e cursos de água interiores. Para aqueles mais supersticiosos, convém levar alguns trocos para lançarem os vossos desejos numa das pequenas fontes da gruta. Inauguradas em 1974, as Grutas de Mira de Aire já receberam mais de 6 milhões de visitantes. 

Bairro do Jurássico

No detalhe do solo, a pegada deixada há 175 milhões de anos por um dinossauro
Localizado na pequena vila de Bairro, concelho de Ourém, o Monumento Natural das Pegadas de Dinossauros é o mais emblemático espólio paleontológico português. Descobertas a 4 de Julho de 1994 na antiga Pedreira do Galinha, as Pegadas da Serra de Aire são compostas por 20 trilhos, considerados os maiores e os mais antigos trilhos de saurópodes (dinossauros de pescoço comprido) de que há conhecimento, mas também, dos mais bem conservados, sendo compostos por mais de 1000 pegadas.

Formadas há 175 milhões de anos, durante o Jurássico Médio, estas pegadas são um tesouro recém-descoberto do passado da Terra, quando a Europa ainda se encontrava ligada à América do Norte, onde entre a Península Ibérica e o actual Canadá, existia um mar pouco profundo de águas límpidas e quentes. Este ambiente proporcionou as condições ideais para a boa preservação destes vestígios fósseis.

Representação de um saurópode similar aos que habitaram esta região
Além das pegadas, os visitantes têm ainda ao seu dispor um trilho de natureza com informação sobre a história geológica da Serra de Aire, um jardim Jurássico que figura algumas das plantas abundantes na altura, além de uma área de animação, um Centro de Educação Ambiental, um parque de merendas e um grande painel ilustrativo da evolução da vida na Terra.

Estrelas de Fátima: O segredo está no doce

O melhor da pastelaria portuguesa (com reflexo na vitrine)
Antes de partirem em viagem, aconselho que dêem um salto à Pastelaria Milano, mesmo à saída do Santuário de Fátima. A sua especialidade são uns pequenos doces chamados Estrelas de Fátima. Feitos com ovos-moles, açúcar e noz, estas pequenas iguarias estão garantidas para elevar o vosso paladar ao mais alto dos êxtases gastronómicos. Exclusivas das Pastelaria Milano, são paragem obrigatória, especialmente depois de uma tarde de caminhadas em volta da Serra de Aire.

Publicado em 16 de Março de 2012 no Blogue Vontade de Viajar
Reeditado em 12 de Setembro de 2013

sexta-feira, 16 de março de 2007

Web 2.0: Update Revolucionário

O que é a Web 2.0? Está neste momento a usá-la, ou pelo menos a ver uma das suas múltiplas possibilidades. A Web 2.0 veio revolucionar a Internet, transformando-a num "universo" livre e aberto a qualquer utilizador. Nos primórdios da Web, um user do ciberespaço era alguém com um grande conhecimento de sistemas informáticos e de programação. Hoje em dia, com a Web 2.0, qualquer um a pode usar, precisando apenas de se deslocar a um computador com acesso à Internet.Certamente já usou, ou pelo menos ouviu falar de sites como o Youtube, eBay, Amazon e Google. Todos estes fazem parte da Web 2.0. No seu conceito mais básico, esta inovação da Internet procura torná-la mais user-friendly, isto é, simples de usar. Desta forma qualquer pessoa pode interagir com as várias funcionalidades da Web - publicar um artigo, criar um blog ou uma página pessoal, criar uma rádio pessoal adequada aos seus gostos, etc. Tudo isto tornou-se possível quando, em 2001, houve um colapso das empresas dot-com. A Internet estava exageradamente habitada por sites que pouco ofereciam ao utilizador e que entraram num caminho de decadência quando estes começaram a perder o interesse. Desta forma, o ciberespaço estava livre, mas era necessário criar algo que o tornasse apelativo. Seguindo uma ideologia de tornar a Internet num espaço acessível a qualquer utilizador, Tim O'Reilly, e a sua empresa O'Reilly Media, com a ajuda da MediaLive International, iniciaram uma serie de conferências onde procuraram explicar ao mundo o conceito por de trás da Web 2.0. O'Reilly chega assim a citar:

Web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência colectiva.

Serviços como o Blogger, que possibilitaram uma maior interacção entre o user e a Web foram o novo caminho escolhido e o melhor exemplo da funcionalidade da Web 2.0. O user passou a ser capaz de publicar textos e de criar uma página pessoal sem qualquer conhecimento de HTML. Novos sistemas como o Flash ou o Ajax, associados a uma linguagem que possibilitasse um funcionamento mais prático do ciberespaço, tornaram a Web mais apelativa e fácil de usar.

Com estes serviços qualquer um de nós pode ter uma verdadeira liberdade de expressão. Acedendo à Internet nas nossas próprias casas, podemos publicar qualquer texto de ficção ou de opinião (Blogger), fazer o ulpload dos nossos videos caseiros (Youtube), fazer o download de músicas, filmes, séries de Tv (BitTorrent), criar a nossa própria rádio escolhendo as músicas que mais gostamos (Pandora) ou até mesmo criando os nossos próprios programas via podcasts, comunicar com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo (MSN Messenger) e tudo à distância de um clique. O video que se segue explica alguns dos conceitos da Web 2.0.
 


Com a Web 2.0 temos que repensar as nossas normas sociais, os conceitos de copyright, e a forma como vemos o mundo. A web possibilita-nos um rápido acesso à informação, com motores de busca como o Google ou o Yahoo, e com os novos sistemas wiki, somos nós os fornecedores de informação. Ao invés de termos que pagar os serviços de enciclopédia on-line como a Infopédia, temos acesso à Wikipedia, criada por utilizadores para utilizadores.

Web 2.0, não apenas uma revolução na Internet, mas nas ideias e na forma de pensar.


Publicado em 16 de Maio de 2013

domingo, 15 de janeiro de 2006

Escrever

Ser escritor não é tarefa fácil. A maioria tem a ideia do sujeito preguiçoso que passa o dia de pijama e roupão, e que de vez em quando lá se senta na secretária a digitar algumas frases. Mas a verdade não é bem assim. 

Cada escritor tem o seu momento, aquele em que as musas ou as ninfas lá lhe vêm fazer cócegas e o deixam flutuar até perto de um papel, ou de um teclado, e deitam um feitiço sobre os seus dedos, para que algo se forme, cresça e ganhe vida. Nem sempre por esta ordem. 

Mas esses seres ainda chegam a ser mais preguiçosos que a figura acima descrita. Podem passar anos a beber néctar, e a falar do tempo em elevadores que não saem do rés-do-chão. E enquanto eles lá ficam, o escritor tem que puxar pela sua imaginação, que nem sempre gosta de cooperar. 

Isto é tudo muito bonito, mas ainda não mostrou sinal de ser alguma espécie de trabalho árduo. Não se preocupem meus fieis defensores da classe laboral, os escritores também têm outros empregos. Empregos esses que por vezes ajudam-nos na contínua busca por ideias, se assim não fosse, não passaríamos de pobres coitados. 

Muito para além da parte financeira, é preciso dar tempo para voltar à figura inicial. O que fazer quando passamos o dia de pijama e não nos apetece ir à secretária escrever seja o que for? Bem, aí não há nada a fazer. Mais vale não escrever nada, do que escrever algo de qualidade inferior àquilo que somos capazes de produzir. Nem todos pensam assim, mas também temos de ter em conta os prazos que por vezes somos obrigados a cumprir. 

Mas e se o contrário acontecer? Se tivermos mil e uma ideias para encaixar numa só? Aí chegamos à situação em que me encontro. Sim, mais uma vez vou escrever um artigo completamente egocêntrico, mas se eu não me centro em mim, e nas coisas que me dizem respeito, quem o fará? 

Egocentrismo à parte, tentar escrever um romance é algo muito duro e complexo. É preciso procurar a personagem, ou personagens principais. Ter uma ideia para o seguimento do guião. Encontrar uma história, uma finalidade. E por fim, descobrir o melhor final para dar à história. 

Aqui surge-nos o momento crucial. Alguns peritos gostam de ser minuciosos. De traçar um plano e depois segui-lo. Outros preferem ser espontâneos, embora isso nem sempre resulte. Também depende daquilo que queremos fazer da obra. Seja publicá-la, ou simplesmente ficar com ela para nosso proveito pessoal. Ou até mesmo queimá-la como um desastre, um completo aborto literário que apenas as massas inconscientes seriam capazes de adorar. 

Ah, como elas adorariam. Seguir-te-iam cegamente até aos limites do precipício, pois é isso que elas fazem. Mas se tu não o farias, de nada vale que outros o façam. Mais um ponto em que só, a meu ver, os justos concordam. 

Voltando a centrar-me em mim próprio, o meu problema neste momento são as mil e uma ideias que voam pela minha cabeça. Será que devo pôr Raptors? Porque é que ao atirar-se da janela ele vai parar a um navio de luxo? A terra não tem 4600 M.a.? Quem é que ele é afinal? Porque tenho tantos problemas com o nome? É só um nome, nem parece que tanta gente me conhece. Isto são apenas exemplos de questões que apenas responderei: Não; Isto é estúpido; Que é que isto tem a ver com a ideia original?; Isto não é um filme; etc. 

No fim, aquilo que irei escrever, pouco ou nada terá a ver com estas questões, se é que o chegarei a fazer. É muito frustrante quando as ideias que nos surgem afastam-nos da ideia original, e da possível mensagem que queremos transmitir. Aí temos um autêntico conflito de interesses, que a meu ver só pode ser resolvido com a construção de duas obras paralelas, e completamente distintas.

Mas aí regresso ao início. De mil e uma volto a ter apenas uma ideia. Essa ideia continua sem fundamento, sem finalidade e sem sentido de fim. Talvez seja melhor descartá-la. Mas não o quero fazer. Terei que arranjar maneira de me desenrascar. 

Nem sempre somos obrigados a seguir uma ideia à letra para que a mensagem não deixe de ser transmitida, ou para que ela saia tal como queríamos que saísse, ou, quem sabe, até mesmo melhor. Na verdade, o único sentimento que me contém, é o reconhecimento de já tantos escritores terem tido ideias semelhantes às minhas. Ideias essas que até as passaram para filme. 

Trágico facto que me arrisca a ser acusado de plágio, ou de falta de imaginação. A verdade é que nestas coisas não há verdade. Só mesmo quem está cá dentro é que é capaz de compreender as coisas pelas quais passamos. 

Espero que um dia a minha obra venha a ser criada. Quero dar vida a esta ideia interessante. Talvez chegue mesmo a ir até à fonte. Não sei. Um dia saberei, e um dia escreverei. 

Ser escritor continua a não ser tarefa fácil. Pensem muito antes de se juntarem a este Mundo, mas não o deixem de fazer. Quem sabe o que virão a descobrir.

Publicado em 21 de Julho de 2013

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

You've got mail

Muitos de vocês já devem ter experimentado, pelo menos uma vez, conversar com estranhos em chat rooms ou pelo Messenger. É uma verdadeira faca de dois legumes, como dizia Jaime Pacheco. Mas o legume que mais interessa, é aquele da conversa esclarecedora e interessante, que de vez em quando lá surge para nos entreter, e para nos fazer passar um bom bocado.

Depois dessa primeira conversa, ansiamos pela segunda, que às vezes continua a ser tão boa como a primeira, mas que outras vezes acaba em desgraça. Em tudo semelhante aos encontros “às cegas” que temos ao longo da nossa vida, com a facilidade de não termos que sair de casa, ou até mesmo de nos levantarmos da cadeira.

E quando não só a segunda, mas a terceira, a quarta, e eventualmente todas as subsequentes, se tornam conversas daquelas que já não somos capazes de passar um dia sem as ter? O momento em que essa pessoa vem falar connosco, ou que responde às nossas mensagens, torna-se num momento mágico. Num pequeno prazer que se concretiza diante de nós.

Alcançamos outro patamar, e começamos a partilhar momentos íntimos com alguém, que nunca vimos uma única vez. Isso às vezes resolve-se com um daqueles blind dates, que são tudo menos cegos. Um dia éramos estranhos, mais íntimos que familiares a falar por um teclado. No outro, somos duas pessoas, frente a frente, capazes de comunicar verbalmente uma com a outra.

Por vezes, a magia desaparece nesse momento e nunca mais volta. A atracção do ser interior desvanece. O pouco à vontade, aquela vergonha de estar ali apodera-se de nós, e acabamos por nos separar. Uma perfeita amizade que teria resultado, não fosse esta espécie de preconceito, que o destino lhe impôs, impedindo-os de se conformarem com as suas vidas no mundo real. 

Mas, felizmente, nem sempre é assim. Há quem se junte, e crie laços eternos, impossíveis de alguma vez serem quebrados. A ansiedade por aquela mensagem, por aquele aviso a alertar que recebemos um e-mail, aumenta cada vez mais. Se esse laço esbarrar com o obstáculo da distância, nem sempre sobrevive, ou então resiste apenas para ver alguma parte da magia a esvanecer. Contudo, bem gerida, a perda não é assim tão pesada.

Não devemos ter medo de explorar estes novos horizontes. Quem sabe o que podemos encontrar mais além? Só se experimentarmos é que o descobrimos. Até mesmo para fomentar os laços com alguém que apenas vemos uma vez por dia, e com quem não desenvolvemos grandes conversas, este é um óptimo lugar. 

Não o devemos temer, nem menosprezar. Devemos aceitá-lo como mais uma daquelas dádivas tecnológicas que nos ajudam a manter-nos ligados ao Mundo.

Deixem o preconceito para trás. Esqueçam os vossos estereótipos. Ignorem quem vos tentar deter. Abracem esta oportunidade. Descubram o verdadeiro prazer de receber aquele e-mail, aquela mensagem instantânea, que mesmo num dia triste, vos alegra para o resto da vida. 

Publicado em 18 de Julho de 2013

sábado, 31 de dezembro de 2005

E agora algo completamente diferente...

...um artigo cujo tema nada tem a ver com a passagem de ano. 

Nesta última semana mergulhei no mundo de Ian Curtis. Após ter recebido o livro Touching from a Distance no Natal, biografia escrita pela sua mulher Deborah Curtis, e de o ter lido até à última página, fiquei a conhecer o Ian de uma forma mais profunda. 

Vi a sua faceta humana, o desvendar do mito. Quase da mesma maneira que fiquei a conhecer a verdade sobre a vida de Jesus depois de ver alguns documentários interessantes no Discovery Channel. Mas, ao contrário do segundo, Ian era um verdadeiro mito. Um ícone de uma geração, e alguém que eu vinha a mistificar. 

A biografia de Ian Curtis tem potencial para chocar a grande maioria daqueles que a lerem, mas não a mim. A sua verdadeira história não me surpreendeu. Ele continua a ser o mesmo mito que era, embora já não seja aquele ser perfeito, que honestamente, nunca foi. 

O Ian foi um revolucionário, um mártir. Nas palavras de Tony Wilson, The musical equivalent of Che Guevara. 

Ele foi o que teve de ser. A sua vida não lhe proporcionou que fosse outra coisa. Levou os Joy Division ao topo. Levou-se a si próprio ao extremo, e aos 24, terminou com a sua vida. 

Ian podia ter sido gigantesco, por mais impossível que pareça tentar elevá-lo mais alto do que ele já é. Motivou os U2, e deixou algum legado nos New Order. Ele estava demasiado à frente do seu tempo, e já era uma figura maior que a própria vida. Só na morte se viu a essência da sua verdadeira grandeza. 

Continua a caminhar em silêncio Ian! 



Publicado em 17 de Julho de 2013

sábado, 24 de dezembro de 2005

The Night Before Christmas

Ou Consoada, como aqueles de alma lusitana gostam de lhe chamar. Não venho aqui falar do sentido do Natal, todos sabem qual é. Não quero falar do que está mal no Natal actual, ou melhor, da maneira que as pessoas encontraram para estragar esta quadra. Falar disso apenas ofusca e ridiculariza o verdadeiro sentido do Natal. 

Que importa se Jesus não nasceu nesta noite? Para mim, o meu aniversário é um tempo de reflexão. Aquele sentimento de obrigação, estampado nos vossos olhos, quando me felicitam nesse dia, apenas contribui para a minha infelicidade. 

O dia em que nascemos é importante, e deve ser recordado por nós. O dia em que os outros festejam esse acontecimento, pouca importância tem. A verdade é que este dia transcendeu o nascimento de Jesus e aglomerou tradições dos quatro cantos do mundo. Tradições milenares que não foram esquecidas graças à celebração deste dia. 

Muito além deste sentido de preservação, também há o sentido de reflexão. O Natal é o momento para nos esquecermos do ano que passou. Para deixar as coisas más no armário, e para dar uma olhadela no álbum das boas memorias. 

É a altura perfeita para fazermos uma viagem pessoal, fora do nosso ego. Para esquecermos o egoísmo, e para procurarmos fazer alguém, e nós próprios, felizes. Seja com uma prenda ou com um simples gesto. 

Não digam mal do Natal. Por muitos anos o adoraram. Ao longo dos séculos foi um símbolo de união entre povos. É um sinal de esperança para o Futuro. O ponto de partida para a Paz e para a Solidariedade. 

O Natal é o que é. É o que fazemos dele, e não o que os outros fazem dele. 

Aproveitem o Natal. Deixem-se envolver pelo seu verdadeiro sentido. E lembrem-se, nem que seja apenas por um milésimo de segundo, mas lembrem-se de serem felizes. Não há melhor dia que este para o serem. 

Desejo-vos uma boa noite de consoada. Façam do Natal aquilo que o vosso coração quer que ele seja. 

Feliz Natal para todos, e para todos uma boa noite. Hoje todos nós somos iguais aos olhos uns dos outros. 

Ámen 
Publicado em 16 de Julho de 2013

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

O Milagre

Nossa Senhora de Fátima
Recentemente li um livro intitulado "O Terceiro Segredo". O autor, de nome Steve Berry, é um americano que já desde tenra idade se fascinou por Fátima. Apesar de ser um bom português, não imaginava quão grande era o impacto que Fátima tinha no resto do mundo. 

Todos acordámos em certas manhãs, e ligámos a TV para ver as celebrações das Eucaristias em Fátima. Milhares de fiéis sempre presentes, faça chuva ou faça sol. Todos ali, atentos às palavras do sacerdote que a estivesse a celebrar. 

Embora já tenha visitado Fátima várias vezes, nunca reparei na mediatização que existe à volta dela, nem no número gigantesco de fiéis que a ela são atraídos todos os anos, provenientes dos quatro cantos do mundo. Eu sei que a Terra é quase uma esfera, e que por isso não tem cantos, mas isso fica para outro artigo.

Era 1917, três pastorinhos guardavam o seu rebanho na Cova da Iria, assim era chamado o local, quando as suas atenções são desviadas para uma senhora de branco. Quase cem anos depois, o sentimento de espanto das pessoas que presenciaram a sua última aparição, quando assistiram, perplexas, ao Sol a dançar no céu, continua a atrair os fiéis. Tudo por uma questão de fé? Não o diria de outra maneira.

Muitas pessoas descreditaram as aparições, argumentando que o que se passou não era mais do que um episódio de histeria em massa. Também sou um desses cépticos contudo, gostaria de ter estado lá, para testemunhar com aquelas pessoas o que verdadeiramente se passou. 

Penso em todas as questões que se levantam, e em toda a vontade de desacreditar o que lá aconteceu. Mesmo assim, quase cem anos depois, continuo a ligar a TV, e a ver o Santuário apinhado de gente. Não seria tão bom que esta história fosse real? Qual é o mal em ter um pouco de fé? Não é ela que nos ajuda a encontrar um significado para a vida? Ou a aceitar que a vida tem um significado? 

Para mim, é difícil aceitar isto tão abertamente. Tive que esperar até ser Confirmado para começar a questionar verdadeiramente a minha fé. Como alguém uma vez me disse, não devia ter feito o Crisma se não estivesse pronto. E não estava. Mas agora sou um Confirmado, pelo menos aos olhos da Igreja. Mas o assunto, não sou eu, nem essa instituição, o assunto é Fátima. 

A Nossa Senhora, a "Virgem", a Madona, a Mãe de Jesus, desceu aos céus para dar três mensagens a três pastorinhos. Ou melhor, a dois, pois Francisco nunca chegou a ouvir o terceiro. 

No romance de Steve Berry, o terceiro segredo revelado por João Paulo II no ano 2000, era o tema principal. A premissa do livro afirmava que faltava uma parte do segredo, e que o Papa esqueceu-se de a dizer, por desconhecer a sua existência. Essa mensagem, como qualquer leitor viria a descobrir no fim, era uma mensagem de aceitação. Aceitação do amor em todas as suas formas, mesmo por parte de "Homens de Deus". Aceitação do direito da Mulher em escolher se vai ou não ser mãe. Resumidamente, a quebra de todos os dogmas que a Igreja tem vindo a reivindicar através da "palavra" de Deus. 

Mas este livro, ao contrário de outros, não desacreditava o papel da Igreja. Apenas lhe dava um empurrão para que esta pudesse mudar, e adaptar-se àquilo que os Céus realmente querem ver-nos a fazer cá em baixo. 

Na verdade, com um Deus tão liberal, e com um Terceiro Segredo de Fátima tão apelativo, até ponderava tornar-me crente. Pelo menos, aprendi a não ignorar este milagre que aconteceu aqui tão perto de nós, e que para todo o sempre dará outro sentido, não só a Portugal, mas à nossa própria existência.

Publicado em 3 de Julho de 2013

domingo, 6 de novembro de 2005

Cursos e Sonhos

Acabei o liceu, e agora? Todos acabamos por fazer esta pergunta. Ninguém acharia isto estranho, contudo, o que eu acho estranho é a resposta que mais frequentemente se faz ouvir: “Gostava de ir para Medicina”.

Há uns meses atrás assisti a uma palestra de um Professor da Universidade de Coimbra. Nela, ele apelava a um maior interesse pelas ciências, que ultimamente têm perdido muitos alunos para as ciências sociais. Não sei se a Medicina é considerada uma ciência social, duvido muito que o seja, mas concordo que esta deve ser posta de lado quando falamos de cursos científicos.

É estranho o elevado número de alunos que, tendo escolhido no nono ano um curso científico, acabam por ambicionar seguir Medicina. Não me considero um jogador compulsivo, mas era capaz de apostar que a grande maioria deles não quer na verdade seguir isso.

Os alunos de hoje vêem os seus caminhos bloqueados por cartazes a dizer-lhes para encarar uma realidade fantasiosa, e falaciosa, que é exposta na comunicação social, e canalizada pelos seus pais. Foram muitas as vezes que alguém me disse que tinha como sonho seguir um curso ligado às Ciências, como Biologia, Geologia, Física, ou Astronomia. Infelizmente, desistem afirmando que esses cursos não têm saída. Porque é que a grande maioria dos jovens teima em matar aquela criança que sonhava com um dia chegar às estrelas?

São vítimas da pressão dos pais? Dos amigos? Da sociedade? Ou talvez, vítimas de uma vontade tremenda de crescer demasiado depressa. Não ponho de lado a certeza de que alguns deles têm mesmo como sonho seguir Medicina. Mas todos aqueles que mudaram o seu sonho por outro motivo que não a perda de interesse, estão a cometer um erro, e vão passar o resto das suas vidas arrependidos por o terem feito.

Não deve existir nenhum motivo para pararmos de sonhar. O vosso sonho não tem saída? Já pensaram que, como a maioria escolhe apenas os cursos com saída, que talvez a procura pelo vosso emprego de sonho aumente, devido à diminuição de pessoas formadas nessas áreas, e que tenham assim uma hipótese muito maior de arranjar emprego, do que qualquer aluno de Medicina?

De qualquer das formas, quem faz o que gosta, e é bom a fazê-lo, não tem problemas em ter sucesso. É com este pensamento que devem fazer a vossa escolha. Não sigam os conselhos dos vossos pais, amigos, familiares ou professores. Sigam o caminho que o vosso coração vos quer mostrar. Ponham de lado essa perspectiva pessimista da realidade. As pessoas à vossa volta são portugueses, não têm outra escolha que não serem pessimistas. Não se deixem influenciar por quem apenas quer transmitir para vocês a sua forma de pensar.

“Vou seguir Medicina (ou outro curso qualquer) porque tem saída.” Quando esta frase se extinguir, talvez aí passemos a ser vistos como um povo mais optimista. Cabe a vocês, e às vossas convicções, dar ouvidos ao que deve ser ouvido: Os vossos instintos. Eu sonho um dia ser feliz com aquilo que faço, e vocês?

Publicado online em 6 de Novembro de 2005
Publicado pelo Jornal "A Melga" em Junho de 2006
Reeditado em 2 de Julho de 2013

quinta-feira, 13 de outubro de 2005

Senta-te e Lê

Após um breve período de inspiração, volto aos artigos sérios que remetem a temas talvez mais do vosso interesse.

Se algum membro da blogosfera, ou um simples escritor, um dia ler isto, vai concordar plenamente comigo. Quantas vezes as musas vos atacaram com tanta força que, quando começaram a escrever, só acabaram quando o texto já ia longo? Incontáveis, certamente.

Após a conclusão de tal grandiosa obra – que depois de uma segunda ou terceira leitura, acabamos por deitar para o lixo; tão perfeccionistas que somos, acabamos por encontrar demasiados defeitos, e tornamos algo belo em mais uma bola de papel, que teima em falhar o cesto –, queremos sempre ouvir uma segunda opinião, uma crítica, e quanto mais trabalhada e concisa esta for, melhor. Daí vem a questão que dá motivo à existência deste artigo: Quantas pessoas recusaram-se a ler por acharem que esse texto era grande demais?

Não é preciso responder a essa pergunta. Hoje em dia, vivemos numa sociedade extremamente materialista. Numa sociedade fast food, onde tudo tem que ser feito com a mais extrema rapidez. Chegamos ao ponto de protestarmos quando um desejo momentâneo não está logo pronto para ser satisfeito, cinco segundos antes de o desejarmos. 

Esta mentalidade tornou-nos preguiçosos. Incapazes de fazer seja o que for. Um bom artigo que dá gosto de ler, não é um artigo bem estruturado de uma página, mas sim uma frase ou duas, ditas por um “dito cujo” qualquer, que, tão convicto do seu raro momento de inteligência, acaba por se enganar a si próprio, ao pensar que essas frases realmente significam alguma coisa.

É verdade que a compreensão está dependente da extensão. É verdade que, por vezes, uma palavra diz muito mais do que mil. Mas essas mil palavras existem por algum motivo. Fazem parte da inspiração de alguém, do mundo de alguém, e merecem ser lidas. Afinal de que serviu o 25 de Abril?

Recentemente, acabei de ler um livro de 1421 páginas. Muitos espantaram-se com este feito. Perplexos, perguntaram-me como tinha sido capaz de arranjar tamanha paciência. A resposta é simples. Cada uma dessas 1421 páginas era boa, e interessante o suficiente para eu as ler. 

No outro dia, deparei-me com alguém que se recusava a ler um livro de uma escritora famosa, por achar trezentas e poucas páginas, um volume demasiado para com o qual, ocupar o seu tempo. Só lhe faltou cair os dentes quando lhe contei a minha aventura recente. 

Muitos livros, e muitos artigos, não valem a pena estarem em exposição nas estantes de uma livraria, ou nas páginas de um jornal, ou de uma revista. Mas muitos outros merecem-no, e por isso lá estão. Contudo, devido ao seu tamanho, a sua essência, a sua magia, perde-se no tempo. Deixando apenas a sua marca nas vidas de bravos como eu.

Apenas faço um pedido, para nunca julgarem um livro pela capa, pelo título, ou pelo seu tamanho. Mantenham um espírito aberto, e leiam. Não deixem bons artigos, e bons livros, passarem-vos ao lado, só porque não vos apetece perder umas horas. Horas essas, que iam gastar a fazer nada.

Quem sabe? Talvez algum deles sirva como fonte de inspiração, e vos ajude a encontrar a vossa vocação. Talvez um deles mude a vossa vida, e vos ajude num momento de aperto. Ou talvez vos seja útil, quando forem ao Quem Quer Ser Milionário. 

Talvez seja apenas um bom tema de conversa entre os vossos amigos. Ou um quebra-gelo, para conhecer pessoas novas. Mesmo que não passe de uma boa leitura para passar o tempo, não ponham logo de lado essa hipótese. Pois ninguém sabe que caminhos podem surgir ao virar da primeira página.

Publicado em 1 de Julho de 2013

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

Eclipse

Para o comum dos mortais que gosta de prestar atenção aos mais pequenos pormenores, será de estranhar o facto de eu estar a publicar um artigo a esta hora do dia. Não que seja alguma hora em especial, é apenas a hora de almoço. Contudo, é uma hora em que, num dia normal, eu estaria em qualquer outro sítio, menos aqui. Mas tudo isto é irrelevante. 

Hoje foi finalmente lançado o Item, um DVD que contém todos os videoclips da história dos New Order. Além disso, inclui também o documentário New Order Story, que até agora apenas tinha sido editado em VHS. 

Hoje foi também o dia em que a Lua ofuscou tudo. Acordei cedo pela manhã e liguei a TV, apenas para me deparar com críticas técnico-desportivas, profundamente falaciosas, dirigidas ao Sporting CP. Senti-me abruptamente obrigado a levantar-me da cama e a ir para o sótão, observar o "fenómeno" que é um pássaro sentado numa árvore a abanar os ramos. 

Minto, isso aconteceu umas horas mais tarde. Aquela hora era a hora do Eclipse. Um evento que esperava desde o último eclipse parcial, há uns anos atrás. Esqueci-me completamente disso, enquanto me afundava em questões existenciais da mais alta importância, ou pensava em coisas tão banais, que acabei mesmo por achar que não valia a pena debruçar-me sobre elas. Pouco importa. Lá acordei, e lá vi o fenómeno. Posso-vos dizer que nunca vi um sol tão azul.

Este eclipse apenas se irá repetir daqui a vinte e oito anos. Evento tão raro como o lançamento de outro DVD como o Item, ou de uma equipa do Sporting CP que jogue tão bem como o FC Porto do Mourinho. 

Até lá, continuarei a questionar-me sobre tudo e mais alguma coisa. Quando estiver nos meus quarentas, lá irei comprar o jornal que ofereça aqueles óculos escuros, para observar o próximo Eclipse em todo o seu esplendor.

Publicado em 26 de Junho de 2013

domingo, 25 de setembro de 2005

Os Jovens Não Gostam de F*der

Imagino o choque de um leitor que encontrasse este título numa livraria, ou numa notícia de jornal. Os factos são factos, Portugal é um dos países europeus com o maior número de pessoas infectadas com o VIH. O número de mães adolescentes tem vindo a aumentar, e os jovens iniciam a vida sexual cada vez mais cedo. Mas, factos são apenas factos, e a verdade é que o título está completamente certo.

Antes de passar à explicação que todos esperam, vou elucidar-vos com uma pequena lição de História. Na antiguidade, antes do surgimento do Cristianismo, era comum, em muitas religiões, usarem o sexo como uma maneira de entrarem em contacto com o divino. Por vezes, os grandes rituais religiosos resumiam-se a cenas de sexo, com o intuito de entrarem em êxtase e contactarem com Deus.

Para os gregos antigos, e durante grande parte do Império Romano, o sexo não tinha tabus. Era um acto natural, que todos nós devíamos desfrutar sempre que tivéssemos oportunidade. Mas tudo isto mudou quando surgiu a religião cristã, com todas as suas regras e imposições, e declarou o sexo sem finalidades reprodutivas, como um pecado. 

Isto, como é óbvio, assustou muita gente, mas também fez com que muitos daqueles que estavam interessados nos ideais cristãos, se desinteressassem. Para os respeitar, teriam que largar tudo o que era divertido na vida. Por isso, passámos de uma sociedade que adorava, idolatrava, divinizava, e não estranhava o sexo, para uma sociedade púdica, cheia de tabus, que continha o impulso sexual pelo máximo tempo possível. 

Tornámo-nos seres estranhos, com comportamentos que nada correspondem àquilo que se passa na Natureza. Por comportamentos estranhos, refiro-me ao celibato e à abstinência, já que qualquer tipo de sexo é cem por cento natural. Como Freud uma vez disse, "apenas não fazer sexo é que não é natural".

Após esta lição de História, podem já se ter esquecido do título. Podem ter mesmo questionado o que é que esta treta de gregos, deuses, e tarados sexuais, tem a ver com a cor do manto da Nossa Senhora. Esperem mais um pouco, estou quase a chegar lá. 

Por vivermos numa sociedade extremamente púdica, e por na década de 1960 termos sentido a necessidade de lutar contra o Sistema – não confundir com o Sistema de Dias da Cunha, esse fica para outro artigo –, é que decidimos acabar com todos os tabus em volta do sexo. Tornando-o, assim, acessível a tudo e a todos. 

Com a chegada das novas tecnologias, até deixámos de passar pela vergonha de irmos comprar pornografia a um quiosque, ou de arranjar alguém mais velho para a comprar por nós. O sexo está aí, à mão de semear. É só ter vontade para o procurar. 

Com toda esta informação, crianças, não jovens, mas sim crianças, têm fácil acesso a pornografia e a material erótico. Antes dos onze anos já sabem mais do que os pais sabiam quando tinham vinte e um. Como o mundo do sexo tornou-se num universo aberto, começam cedo a sentir a pressão para perder a virgindade. Essa pressão surge através do seu grupo de amigos, nas escolas, e por contacto com jovens de idade superior às suas.

Eles fazem-no por curiosidade, por pressão, e para não ficarem para trás. Começam a tentar gostar daquilo, e a fazer tudo o que vêem nos filmes. Não perdem tempo para conhecer o seu corpo, e o seu "eu" sexual. Vão logo para o acto. Transformam-no num hábito, numa rotina. Chegam mesmo a defender até à morte, a ideia de que gostam e de que têm muito prazer, quando na verdade não chegam a sentir qualquer tipo de satisfação.

Muitas vezes têm receio de se explorarem, e de procurar as suas verdadeiras necessidades sexuais. Eles fazem-no pelo mesmo motivo que fumam, e que bebem. Sentem-se especiais. Esquecem-se que perderam tudo o que é especial no sexo. Esquecem-se que não existe melhor sensação do que fazê-lo com a pessoa certa. Esquecem-se do contacto com o divino, do verdadeiro êxtase. 

Na sua contínua luta por uma popularidade sem importância, desperdiçam tudo aquilo que podiam ter. Mais tarde, talvez se apercebam do que desperdiçaram. Talvez arranjem maneira de o recuperar. Mas, enquanto são jovens, simplesmente aprendem a não gostar de f*der, pois não o fazem por gosto, mas apenas por obrigação.

Publicado em 24 de Junho de 2013

Escreve sobre o que sabes

Foi esta a frase que me veio à cabeça, poucos segundos antes de ter aberto esta página.

Tenho que me render à realidade. Apenas um ou outro artigo dos vinte e sete já publicados neste blogue, é que tem interesse. E mesmo essas pêras num cesto de maçãs, ainda têm alguns bichinhos que estragam grande parte do seu sabor.

Na desesperada tentativa de produzir mais uma pêra, veio-me esta frase à cabeça. Mas o que sei eu? Um homem, provavelmente alguém famoso, ou talvez um ser de ficção, que não faço a mínima quem tenha sido, uma vez disse: “Só sei, que nada sei.” 

Eu sou verdadeiramente um ignorante, e um inculto, no que toca a saber das coisas. O que elas são, para que servem e, para pior de todos os males, como se chamam. Atormenta-me uma situação no oitavo, ou no nono ano, em que não sabia se devia pôr o pacote de Um Bongo no papelão ou no coisinho das embalagens. Não é essa indecisão que me atormenta, aposto que a grande maioria das pessoas já passou por este dilema. O que me atormenta é o facto de me terem criticado negativamente por não o saber. 

Na altura, isso deixou-me mesmo muito irritado. Outro exemplo é o facto de, há poucos meses, ter descoberto que outra palavra para Lírio era Açucena. Ouvi essa palavra numa música da Sara Tavares e fui ver ao Dicionário o que queria dizer. Para meu espanto, algo que eu pensava ser desconhecido do público, era na verdade, cultura geral. 

Foi uma situação tão vergonhosa que é neste artigo que a confesso pela primeira vez: Eu não sabia o que eram Açucenas, até ter ouvido a palavra numa música, e a ter ido ver ao Dicionário. Mesmo após descobrir, alguns meses mais tarde, que essa mesma palavra tinha surgido num teste de CTV, e eu ignorei-a completamente. Ignorei-a, ou simplesmente não me interessei o suficiente para a ir procurar ao Dicionário. 

São gigantescos os exemplos de palavras que nunca passaram pelo meu ouvido, mas que pelos vistos toda a gente as conhecia. Bacorada, que só descobri que existia enquanto falava com um pessoal de Setúbal, é outro exemplo. Isso deixou-me a pensar que talvez fosse um regionalismo, mas na verdade, toda a gente a conhecia. Toda a gente, menos eu. 

Outro caso, já é muito antigo. Durante toda a minha infância aguardava por aqueles dias em que chegava a casa e a minha avó tinha feito letria, eu adorava aquilo, principalmente com canela. Os tempos foram passando, e o meu gosto por letria mantinha-se inalterado até que um dia, devia ter eu uns treze anos, vejo escrito no livro de português “aletria” e não “letria”, como seria de esperar. Perguntei à professora se seria algum erro, mas ela confirmou-me que era assim que se escrevia. 

Todo aquele tempo, todos aqueles sonhos, destroçados por um mísero A. Porque raio é que se chama aletria? "Ó mãe já fizeste a aletria!" Sou o único que acha isto extremamente estúpido?

Este artigo dava um romance, não tivesse eu que ir jantar, ou não achasse que não valeria a pena continuar a escrever. Pois, quanto maior isto for, menos gente o vai ler. 

Aí está uma questão para um próximo artigo: Porque raio os jovens de agora não têm paciência para ler um artigo com mais de cinco linhas, ou um livro com mais de cem páginas?

Mais uma vez termino sem um fim. Deixo-vos com as palavras de um velhote que tenho vindo a admirar: "E esta, hein?!" 

Publicado em 25 de Junho de 2013