segunda-feira, 13 de maio de 2013

O Regresso

Foi em finais de 2004 que comecei a dar os primeiros passos no universo da blogosfera. Blue Dove. Assim se chamava o meu primeiro blogue. Alocado na velha plataforma de blogues do Sapo, Blue Dove foi até ao início de 2006 o espaço predilecto para partilhar os meus pensamentos, as minhas histórias, as minhas ideias, a minha arte, mas, acima de tudo, a minha voz.

No dia 17 de Janeiro de 2006 decidi dar um novo rumo à minha aventura como blogger e criei o meu blogue actual, o No Sense of Reason. Deixei o Sapo para trás e juntei-me à comunidade do Blogspot. Embora o No Sense seja o único blogue que actualizo com alguma regularidade, ao longo dos anos fui criando novas plataformas por necessidade de me dedicar a temas e linguagens mais específicos.

Janeiro de 2007 viu nascer o Story Writer, um blogue que durante alguns anos mantive secreto. Dedicado apenas à divulgação dos meus contos originais e de capítulos de histórias maiores, Story Writer era o espaço onde eu acumulava e arquivava todos os contos que escrevi e que publiquei na blogosfera desde os inícios do Blue Dove. Eventualmente comecei a produzir conteúdos únicos para este blogue, contudo o meu perpétuo writer’s block impediu-me de o manter actualizado de forma regular. 

Nesse mesmo ano, em Julho, criei a Antologia do Eu, um blogue que tinha como único objectivo divulgar a minha escrita lírica. Tal como o Story Writer, este blogue também continha poemas que já tinham sido publicados noutros blogues e alguns inéditos que eu mantinha guardados nas minhas gavetas. Antologia do Eu tem a particularidade de a maioria dos seus poemas não terem título, sendo numerados consoante a data de publicação em numeração romana. 

Dois mil e sete foi mesmo um ano rico para a expansão da minha blogosfera pessoal. Por motivos académicos criei um blogue com o nome 25 de Julho. Alusão ao feriado e dia da cidade da minha terra natal, Ovar. Criado em Março desse ano, ao longo dos anos usei-o como uma espécie de portfólio onde divulgava alguns trabalhos académicos. Posteriormente transformei-o num blogue noticioso dedicado ao arquivo das notícias e reportagens que escrevi para o jornal Praça Pública. 

Foi preciso esperar até 2009 para que a minha blogosfera ganhasse uma nova face e um novo membro. Em Janeiro de 2009, em comemoração do terceiro aniversário do No Sense of Reason remodelei o seu design, actualizei o template e redistribui as ordens de publicação da minha blogosfera pessoal. Também por motivos académicos criei o Mercúrio do Porto, blogue que mantenho ainda hoje para divulgar notícias que escrevi nas entidades onde trabalhei, assim como alguns projectos que desenvolvi ao longo do meu Mestrado. 

Vi-me assim com cinco blogues por entre as mãos e sem tempo para dedicar a todos eles. Acabei por privilegiar o No Sense of Reason em detrimento dos restantes. Volta e meia actualizo o Mercúrio do Porto, ainda hoje mantendo-se como um blogue de apoio ao meu portfólio. Já os restantes dependem muito da minha inspiração e desbloqueamento criativo. 

Para meu desgosto, descobri há alguns meses que o meu velhinho Blue Dove foi deitado abaixo pela Sapo sem qualquer aviso prévio. Embora já não o actualizasse há oito anos, agradava-me saber que ele continuava ali como registo dos meus primeiros devaneios na arte da escrita e do pensamento criativo. Volta e meia encontrava-me a ler um ou outro dos meus velhos artigos. Emocionava-me com as recordações que eles traziam e usava algumas das suas frases como inspiração para os meus projectos futuros.

Vê-lo ficar offline após tanto tempo foi um duro golpe que me fez perder toda e qualquer confiança na Sapo. Senti um profundo vazio como se parte de mim tivesse sido apagada para todo o sempre. Felizmente mantive um arquivo digital de todos os artigos que publiquei naquele blogue. 

Há já algum tempo que tenho vindo a pensar sobre uma forma de voltar a repor estes meus pedaços de identidade online. Inicialmente ponderei simplesmente publicá-los, um a um, no No Sense. Contudo, isto criaria uma anormalidade de cinquenta e muitas publicações num único mês. Para não falar de uma eventual confusão ideológica entre o actual estilo do No Sense of Reason e a emoção em bruto do Blue Dove. 

Aliado a isto tinha também o problema dos outros blogues que nos últimos anos têm estado relativamente inactivos. Juntando o útil ao agradável, cheguei à conclusão de que a única forma de resolver este problema seria criar uma nova plataforma dedicada ao arquivo do antigo Blue Dove e dos restantes membros da minha blogosfera. 

Sob o domínio A Flock of Blue Doves, nasce assim o novo membro do universo No Sense. De cara lavada, a nova reencarnação do Blue Dove vai inicialmente funcionar como um arquivo. Diariamente de Domingo a Quinta-feira serão publicados os velhos artigos do primeiro Blue Dove. Cada um deles será reeditado com o objectivo de corrigir eventuais erros ortográficos ou de sintaxe, contudo não irei alterar qualquer aspecto do seu conteúdo. 

Terminada a reposição de todos os artigos do Blue Dove serão também publicados e reeditados os arquivos de Story Writer, Antologia do Eu e 25 de Julho. 

Após esta fase o blogue continuará a funcionar no mesmo âmbito que os restantes funcionam. Embora os meus artigos de opinião continuem a ser publicados no No Sense of Reason, assim como as minhas notícias, press releases e textos afins vão continuar a ser publicados no Mercúrio do Porto, todos os meus contos e poemas vão passar a ser divulgados neste blogue. 

Não pretendo com isto pôr a baixo nenhum dos blogues que vão deixar de ser actualizados. O Story Writer, o Antologia do Eu e o 25 de Julho vão permanecer online por tempo indefinido com o objectivo de salvaguardar as datas de publicação do seu conteúdo e também para servirem como memorabilia do meu passado como blogger. 

Os fãs do No Sense of Reason não precisam de se preocupar, esse continuará a ser actualizado com a frequência do costume.

Hoje dou um passo decisivo na restauração da minha memória online. No espírito do velho Blue Dove: Believe in me and I’ll believe in you!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

XXI

Medo
Palavra escrita nas entrelinhas,
De diálogos ensaiados por estranhos desconhecidos.
Escuridão de ignorância,
Banhada em ouro derretido pela podridão.

Medo
Sentimento negro de aventura,
No breu de uma estrada coberta pela noite.
Terríveis grunhidos de loucura,
Rodeados por árvores caducas de maldição.

Medo
Incertezas de amanhãs,
Emergidas em lama visceral.
Gritos de morte,
Sob silêncios assolados por um nada temeroso.

Medo
Carnívoras intenções,
Auto-flageladas por desejos nervosos.
Escondidos do mais simples olhar,
Em segredos restritos de violações.

Medo
Amor descoberto,
Por uma entrega divinal.
Racionalidades fictícias de certezas incoerentes,
Perdidas em ansiedades de desejos mortais.

Medo
Do futuro, do passado,
De um presente de felicidade.
Receio pelo belo, pela verdade,
Apreensão de amar, apreensão de errar.

Medo
Palavra que nada faz,
Que existe e apenas o é.
Sentimento bloqueador, por entre amarras de calor,
Cuja dor de nada vale, de nada é.

Publicado em 11 de Setembro de 2013

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

XX

Imagem apagada, de um caminho deserto,
Ancestrais pegadas, perdidas no vento.
Espaços vazios. Nada.

Realidade imaginária, nunca questionada,
Sopros de silêncio, pela noite abafados.
Viagens por partir. Nada.

Cidades escuras, de idiomas ausentes,
Carentes ruínas, ainda por escrever.
Tempos perdidos. Nada.

Sonetos antigos, sem palavras, nem verbo,
Desenhos gastos, por livros encobertos.
Sonhos esquecidos. Nada.

Mortes insípidas, vazias de dor,
Vidas corridas, cegas por amor.
Histórias em branco. Nada.

Nomes deixados, algures no horizonte,
Passados vencidos, derrotas sem sabor.
Saberes desleixados. Nada.

Cansaço eterno, por saúdes prometidas,
Mentes adormecidas, sem onda, nem valor.
Projectos parados. Nada.

Esperança contínua, sem sentido de razão,
Preces ouvidas, sem pedido, ou decisão.
Águas retraídas. Nada.

Tudo, em um todo, apenas,
Paradoxos eloquentes, de parágrafos roubados.
Poemas iletrados. Nada.

Certezas antes vistas, no incerto do destino,
Runas indecisas, por um fado caótico.
Letras encobertas. Nada.

Sentimentos guardados, na ânsia do porvir,
Futuros inesperados, no limite de desistir.
Corações partidos. Nada.

Doces Novembros, há muito vividos,
Nunca esquecidos, hoje partilhados.
Amor por viver. Dias por receber.
Nada, é tão simples.
Nada, que tudo é. Tudo.

Publicado em 9 de Setembro de 2013

domingo, 15 de novembro de 2009

XIX

Guardo em mim, segredos,
Revelados sob o teu olhar,
Certezas de um significado,
Impossível de aceitar.

Palavras indiscretas,
Sem um fundo de verdade.
Mesmo em mentes abertas,
Soam como erradas consequências,
Sem sentido, nem idade.

Guardo em mim, segredos,
Proibidos entre nós,
Caminhos já confirmados,
Por uma distância atroz.

Calo em mim, vozes,
Repetidas em protesto.
Impedidas de ouvir,
Sentimentos certos.

Guardamos nós, segredos,
Entre dias, horas, momentos,
Silêncios eternos daquilo que escondemos:
Duas palavras, um segredo,
Uma incerta constante,
Deste ténue caminho,
Assim, por nós escolhido.

Guardo em mim, segredos,
Por ti, já revelados.
Guardamos nós, incertezas,
Improváveis de se desvendar.
Se apenas sob o teu olhar,
Guardamos nós, assim,
Um momento, um dia, uma hora,
Que ainda está por passar.

Guardamos nós, segredos.

Publicado em 4 de Setembro de 2013

sábado, 21 de março de 2009

XVIII

Letras, palavras,
Elementos de um todo,
De infinitos sentidos,
Libertos de penosos destinos.

Fados de sentimentos,
Líricas de dor,
Fingimentos de realidades,
De tão desejadas, a nunca vividas.

O lirismo, o poder do verso,
Da palavra, do lápis, do papel.
A métrica, a harmonia,
Tão diferente da prosa, mas tão interligada...

Parágrafos, frases, linhas,
Elementos verticais.
Presos sobre a horizontalidade,
Da sua própria existência.

Dom do canto, da expressão,
do romance, dos sentimentos.
Versos soltos de uma vida,
de um todo, de um mundo.

Nada é mais fácil, que a existência de um poeta.
Que o exprimir das reacções que orientam o seu dia.
Nada é tão simples, nada é tão difícil.
Vertical, horizontal, isto não é poesia.
Isto é nada, e é tudo.

Poesia é vida, é a lírica do ser,
Poesia é viva, é o pulsar do saber,
Isto não é poesia.

Publicado em 1 de Setembro de 2013

domingo, 22 de fevereiro de 2009

XVII

Não me apraz ir a lugar nenhum,
Pois em lugar nenhum te encontras.
As regras que assim me prendem,
Estabelecidas por ti,
Forçam a minha ausência,
Do único destino que desejo seguir.

Palavras que as guardo em diários por escrever,
Carregadas de sentenças que o tempo transforma em interrogações,
Ocupam-me os pensamentos de meios-dias perdidos.
Esquecidos no tédio do volver das horas,
Interminável, como o teu legado.

Encontro-me por ora exausto,
Cansado como quem desperta de uma longa existência dormente,
De mente estafada, governada pelo conflito.
Ansiedade, e receio, por aquilo que aguarda.
O malogrado momento,
Daquele que não desejo que seja mais um triste fado,
Do contínuo caminho cinzento, de indústria desinspirada.

Aguardo por um veredicto,
Como réu inocente, incapaz de fugir à culpa da acusação.
Os meus quereres, os meus desejos, as minhas vontades,
De nada valem nesta hora dispensável,
Pois de nada vale ponderar na alternativa, quando a decisão já há muito foi tomada.

Aguardo na ignorância,
não é ela, a felicidade?
Ignorância, auto imposta,
dos lugares comuns que a experiência fornece.
Apesar disso; ignorância, apenas e só.

Desejo ver-te, desejo falar-te,
Desejo encontrar-te,
Enfim, desejo-te.
Mas pensar além das fantasias do inconsciente,
destrói-me pela ciência de tudo o que é real.

Que posso fazer, se não aguardar.
Aguardar o regresso das tuas palavras,
O reencontro das tuas feições.
Seja qual for o ditado final,
A réstia da esperança deste ser exausto,
Descansa apenas na espera do acordo...
Não. Da promessa, arquivada num tempo e num lugar,
Que embora reviva a cada momento,
Não desejo recordar.

Não me apraz ir a lugar algum,
Pois em lugar algum te encontro.

Publicado em 27 de Agosto de 2013

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

XVI

É tudo tão previsível.
Meras equações decifráveis,
Números, letras, e sinais,
Conjugados no mesmo resultado.

É tudo tão previsível.
Provérbios e oráculos,
De dias e noites,
Em sequências inquebráveis.

É tudo tão previsível.
Sem desafio, sem vantagem,
Derrotas de vitórias,
Nunca, e sempre, conquistadas.

É tudo tão previsível.
Palavras descodificadas,
De cifras por esconder,
Perdidas em algum código.

É tudo tão previsível.
Definições, terminologias,
Hipóteses, e conclusões,
Sempre com o mesmo fim.

É tudo tão previsível. 

Publicado em 22 de Agosto de 2013

domingo, 6 de abril de 2008

XV

Chamas cobrem o corredor.
O calor intenso ofusca as paredes.
Um brilho belo e mortal,
Apaga a inocência de um local,
Em tempos seguro, privado do mal incandescente.

Tecto de labaredas,
Que o próprio fumo se desvanece.
Não há água que extinga,
A potência de tão malvado ser.

Vermelho, laranja, amarelo.
Ao fundo, uma luz branca,
Não de morte, mas mortal.
Não de paraíso, mas de calor.

Lâminas brilhantes de luz,
Acariciam, acalmam.
Quase apetece adormecer,
No seu abraço quente e seguro.

A sedução do corredor,
Bem perto do fim,
Desfecha numa avalanche de medo,
O quente cobertor,
Que se encerra numa beleza de cores.

Alheio a quaisquer gritos de dor,
Vence o silêncio, o corredor.

Publicado em 19 de Agosto de 2013

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

XIV

Máscaras, todos as usamos.
Faces feridas encobertas,
Desgostos, disfarçados de sorrisos.
Mentiras, perdidas em desenhos.

Carnavais das nossas vidas,
Dias extras que não vivemos,
Tudo escondido por detrás,
De todo um emaranhado que se desfaz.

Frases não ditas, por ditas
Palavras malditas.
Máscaras de ódio pelo amor,
Máscaras de amor pelo ódio.

Todos as usamos, todos as dizemos.
Poucos de nós pensamos,
Poucos de nós fazemos,
Mas todos escondemos.

Máscaras de felicidade triste.
A infelicidade alegre do nosso ser.
Pedidos de esperança,
De falsos olhares e dizeres.

Máscaras de gestos,
Velhos, novos,
Ternos, eternos.
Máscaras do nada, que todos somos,

Máscaras.

Publicado em 14 de Agosto de 2013

domingo, 6 de janeiro de 2008

XIII

Sinto-me longe.
Foi tudo um sonho?
Um passado perdido, de um real ilusório.

Terá sido verdade?
O que aconteceu,
Se foi real, porque não é recordado?

Memórias, fragmentos,
Imagens, sequências perdidas,
Inacabadas.

Motivos perdidos. Nada.
Nada, não foi nada,
Porque está tudo tão longe.

Para onde foi?
O que em tempos foi real,
Ou que nunca o chegou a ser.

Para onde ir? Depois.
Se o passado se apaga,
Se o passado não existe.

Para onde ir?


Publicado em 11 de Agosto de 2013

sábado, 17 de novembro de 2007

XII

O que foste para mim?
Nada mais que a ilusão,
De um dia de sol, que nunca nasceu.

O que és para mim?
O fantasma de alguém,
Que em tempos conheci.

Quem foste para mim?
Ninguém, além da pessoa
Que te iludes ser.

Quem és para mim?
Apenas alguém, que o caminho
Não me soube dizer.

Quando foste para mim?
Nunca, é a resposta,
Que temia ouvir.

Quando és para mim?
Vazio de respostas,
É o que espero de ti.

Porque foste para mim?
Sim, não, ou talvez.
Nada te justifica, nada fala por ti.

Porque és para mim?
Porque nunca o foste,
Nem nunca o serás.

Como foste para mim?
Como não te imaginei ver,
Como alguém também não o foi.

Como és para mim?
Igual ao passado.
Presente do teu Eu, que perdeste em mim.

Elementos esquecidos de um futuro incerto.
Passado insignificante e indolor.
Presente perdido, jamais recuperado.
Tudo foste, e nada és.
O que serás? Não o sei.

Publicado em 6 de Agosto de 2013

quinta-feira, 21 de junho de 2007

I

Estou perdido.
Perdido na ânsia do teu ser,
Perdido no momento de te ver.
Estou perdido.

De que vale sentir,
Após te ver partir.
Mas quem parte,
Sou Eu.

Estou Perdido.
Sem Norte, Nem Sul,
Sem lugar para estar.
Para viver, para te amar.

Estou Perdido.
Num céu sem Terra,
Sem nuvens, sem ar.
Sem saber onde te procurar.

Estou Perdido,
Perdido por algo,
Algo, que não se encontra.

Duvido da sua existência,
Enquanto me perco.
Estou Perdido,
Afastado da minha própria existência.

Estou Perdido.



Publicado em 15 de Maio de 2013

sexta-feira, 20 de abril de 2007

XI

Estarei Vivo? (título original)

Será a vida nada mais que um céu? Um Inferno?
Uma estranha espécie de limbo?
Não respiro, não sinto, o meu coração não bate.
Estarei morto?
Se a morte é pensar, falar e agir, o que é viver?
Nada sei, pois não sei responder a esta pergunta.

A vida é uma música que não podemos ensaiar,
Mas se não sei sobre o que cantar,
Como vou viver?

Se a vida é um palco e somos todos artistas,
Estarei morto por não saber actuar?

Se a morte é como a vida, como sei onde estou, ou o que sou?
Porquê o medo? Porquê o desconhecido?
Se o desconhecido é aquilo que se conhece,
Como continua a ser desconhecido?

Nada é nada, e tudo é tudo,
Mas e se tudo for nada, e nada for tudo?
O que acontece?

O meu concerto vai a meio,
Uma corda da minha guitarra parte-se,
Tenho que cantar, mas nada sai da minha voz.
É isto viver? É isto morrer?
Há alguma diferença?

Se não vivesse, onde estava?
Se não morresse, onde estava?

Se...?

Publicado em 1 de Agosto de 2013

domingo, 3 de dezembro de 2006

X

Agora durmo,
Numa imensidão do teu antes.
Daquilo que nunca foi,
De ti, que nunca serás.

Agora durmo,
Perdido num limbo de nada.
Nas memórias de algo,
Que não existe, nem existiu.

Agora durmo.
Penso em motivos,
Perdidos no seu tempo,
Escondidos para sempre de ti.

Agora durmo,
Porque não me deixaste acordar.

Publicado em 29 de Julho de 2013

sexta-feira, 10 de março de 2006

IX

O Futuro (título original)

Nevoeiro encoberto,
Longínquo Fervor.
Nada para temer,
Nenhum medo para ter.

Futuro, palavra indistinta.
Sem sentido, ou vontade.
Perfeita desnecessidade,
De uma missão extinta.

Longitude horizontal,
Cá num canto de Portugal.
Olhos de Europa perdida,
Futuro incerto, de uma morte desmedida.

Futuro deste, ou daquele.
De mim, ou de ninguém.
Que adianta procurar nele,
A inexistência de alguém?

Futuro, palavra maldita.
Sol de inverno porvir.
Primavera, daquela que foi bem dita.
Sem rumo, ou direcção, de onde partir.

Futuro, que te procura.
Quer-te, e tem-te.
Não há nada a fazer,
Apenas nada a temer.


Publicado em 24 de Julho de 2013

domingo, 15 de janeiro de 2006

VIII

Olha-me nos olhos (título original)

Olha-me nos olhos.
Vê aquilo que te quero dizer.
Não procures nas entrelinhas,
Do que costumo fazer.

Olha-me nos olhos.
Vê aquilo que sinto.
Penetra no meu âmago,
Procura a minha inocência.

Olha-me nos olhos.
Diz-me o que vês.
Não negues aquilo que já sabes,
Di-lo de vez.

Olha-me nos olhos.
Dilacera-os se necessário.
Procura lá dentro,
O teu, e único, presságio.

Olha-me nos olhos.
Já encontraste a resposta.
Agora di-la.
Transforma-a nas tuas palavras.

Elas não magoam,
Quando servem para salvar.
Tu sabes qual a sua verdadeira função,
Agora segue o teu coração.

Olha-me nos olhos,
Diz-mo sem hesitação.

Publicado em 22 de Julho de 2013

sábado, 3 de dezembro de 2005

VII

Sol de Inverno (título original)
Sol de Inverno,
Húmido e doente.
De brilho cego e frio.

As nuvens são o meu consolo.
Quando tu desapareces,
Ó Sol invernoso,
Como não te aguento.

Mesmo no Outono já dói,
Já magoas os dias,
Já não és bem-vindo,
Já não quero a tua luz.

Desaparece, ó Sol.
Ó dador de vida,
Ó estragador dos dias.
Traz-me nuvens que iluminem,
Chuva que me aqueça,
Só não te tragas a ti 
Publicado em 9 de Julho de 2013

sábado, 12 de novembro de 2005

VI

Um dia de Chuva (título original)

Mais um dia de chuva.
Mais uma gota que cai.
Vejo, nesta janela embaciada,
Um rosto que não me diz nada.

Essa sombra desaparece,
E só cinzento, e gotas se sente
Cá dentro, um frio. Um momento.
E nada de mais.

É apenas outro dia chuvoso.
Mesmo estando o sol a brilhar,
As nuvens não irão cessar.
O céu, cinzento permanecerá.

Procuro o teu gesto no horizonte.
Ou qualquer outro gesto,
Mas nada encontro.
Apenas nada de mais.

Demasiado nada para continuar a olhar.
Volto-me da janela,
E sou levado para outro nada.
Onde nada espera te encontrar.


Publicado em 4 de Julho de 2013

sábado, 23 de julho de 2005

V

Waiting for my real life to begin / A Espera (título original)

A qualquer hora chegará o meu navio.

Não vale a pena continuares a chorar esse leite que derramas.
Não vale a pena parares para olhar o horizonte,
E ficares pelo sítio onde começaste.
Não vale a pena continuares a cair sem som.

Estás à espera que a tua verdadeira vida comece.

Não consegues ver?
Já tens um plano.
Não consegues ver?
Estás à espera.
À espera de chegar a casa.
À espera de caíres,
De caíres sem som.
À espera, que a tua verdadeira vida comece.

E de repente não estás só.
Estás a chegar a casa,
E fazes algo bonito.
E vais amar-te até ao fim dos tempos.

E num dia limpo,
Consegues Ver.
Ver, um longo caminho.

Vais continuar a olhar o horizonte.
 
Publicado em 11 de Junho de 2013

quarta-feira, 29 de junho de 2005

IV

A Noite (título original)

Ao me deitar,
Iluminas com o teu saber.
Seduzes com o teu prazer,
Mas nada deixas alcançar.

Ofuscaste, longe
Prometes o imprometível,
Crias o incredível,
Elevando para outro lugar.

Fazes sonhar,
Fazes dormir,
Fazes amar,
Mas não te fazes concretizar.

Escondes-te no teu breu,
Refugias-te de todo o brio.
Pelo dia aguardas
Hora maldita, o amanhecer.

No teu leito te deitas,
Enquanto eu me levanto.
O sonho, já esvanecido
E o prometido, retirado.

Nada disto faz sentido.
Mas agora é que o teu prazer começa,
Sentindo todos a despertarem
Nesta realidade adversa.

E agora te deitas.
Também tu, te submetendo
A brincadeiras milenares
Que por mera sede de vingança
Todos nós temos que pagar,
Por esse teu desejo de criança. 


Publicado em 9 de Junho de 2013