sábado, 24 de dezembro de 2005

The Night Before Christmas

Ou Consoada, como aqueles de alma lusitana gostam de lhe chamar. Não venho aqui falar do sentido do Natal, todos sabem qual é. Não quero falar do que está mal no Natal actual, ou melhor, da maneira que as pessoas encontraram para estragar esta quadra. Falar disso apenas ofusca e ridiculariza o verdadeiro sentido do Natal. 

Que importa se Jesus não nasceu nesta noite? Para mim, o meu aniversário é um tempo de reflexão. Aquele sentimento de obrigação, estampado nos vossos olhos, quando me felicitam nesse dia, apenas contribui para a minha infelicidade. 

O dia em que nascemos é importante, e deve ser recordado por nós. O dia em que os outros festejam esse acontecimento, pouca importância tem. A verdade é que este dia transcendeu o nascimento de Jesus e aglomerou tradições dos quatro cantos do mundo. Tradições milenares que não foram esquecidas graças à celebração deste dia. 

Muito além deste sentido de preservação, também há o sentido de reflexão. O Natal é o momento para nos esquecermos do ano que passou. Para deixar as coisas más no armário, e para dar uma olhadela no álbum das boas memorias. 

É a altura perfeita para fazermos uma viagem pessoal, fora do nosso ego. Para esquecermos o egoísmo, e para procurarmos fazer alguém, e nós próprios, felizes. Seja com uma prenda ou com um simples gesto. 

Não digam mal do Natal. Por muitos anos o adoraram. Ao longo dos séculos foi um símbolo de união entre povos. É um sinal de esperança para o Futuro. O ponto de partida para a Paz e para a Solidariedade. 

O Natal é o que é. É o que fazemos dele, e não o que os outros fazem dele. 

Aproveitem o Natal. Deixem-se envolver pelo seu verdadeiro sentido. E lembrem-se, nem que seja apenas por um milésimo de segundo, mas lembrem-se de serem felizes. Não há melhor dia que este para o serem. 

Desejo-vos uma boa noite de consoada. Façam do Natal aquilo que o vosso coração quer que ele seja. 

Feliz Natal para todos, e para todos uma boa noite. Hoje todos nós somos iguais aos olhos uns dos outros. 

Ámen 
Publicado em 16 de Julho de 2013

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

A Véspera da Véspera de Natal

Já dizia alguém que percebe do assunto: Nós temos 365 maneiras de fazer bacalhau! Pois a mim só me interessa a maneira 358 – como génio mal compreendido da matemática, explico para aqueles que não o são, que esse número corresponde ao dia 24 de Dezembro, pelo menos em anos que bissextos não o são. 

Hoje é a véspera da véspera de Natal, a véspera da Consoada, ou simplesmente o dia 23 de Dezembro. 

Já era madrugada de 22 para 23, quando a minha contínua busca de conhecimento, leva-me a iniciar uma conversa com uma conterrânea da formosa Invicta, e a descobrir mais um dos males impostos por estes anos de refúgio ovarino. Era do meu total desconhecimento o que eram Pencas. 

Isto não é bem verdade, no limiar da minha cabeça “penca” era sinónimo de “nariz”, mas aqui voltamos à eterna luta entre o pingo e o garoto. A penca para esta conterrânea, e para todos os seus conterrâneos, é uma couve repolhuda, que por estas bandas tem o nome de Couvões. Para meu espanto, na Consoada juntamos ao azeite, à batata cozida, àqueles verdes que nunca como, à pimenta e ao alho, as ditas Pencas. 

No meio de narizes e Bacalhaus (que os nossos amigos Ingleses são incapazes de pronunciar devido à inexistência do som "lh" na sua fonética, acabando por graciosamente sair esta palavra risível de se ouvir: bacaíau) acabamos por nos sentar à mesa, amanhã, na véspera do dia de Natal, prontos para encher a pança com esta iguaria. A ela juntam-se os bilharacos, feitos de abóbora ou de cabaça (mais uma luta eterna), o tão dito e declarado Pão-de-Ló, não o Portucalense que esse nem de bolo seco merece ser chamado, mas a iguaria vareira, que há tantos anos dá "nome" a este sítio, as frutas cristalizadas, os pinhões, e etc., e etc. 

Não quero falar da aletria, ou da letria, que já muitos desgostos me trouxe. Mas que estou para aqui a dizer? O importante são as Pencas, minhas senhoras e meus senhores. Essas maravilhas do mundo vegetal que a minha Mãe chega a ter em excesso no quintal. 

De Couvões pouco percebo. Serão angiospérmicas? Espero que não, já que nem sei o que angiospérmicas são. Só sei que no meu prato vão aparecer, não será sinónimo de eu as ir comer, mas pelo menos lá estarão. 

Depois da tempestade a bonança. Mas ainda é dia 23, coitado deste dia, ser véspera de véspera é como ser deputado, é ser nada sem significado. Mas do Nada, já falei, ao Pai Natal escrevi, do Natal em si, esperarei, e em breve comentarei. Até lá só digo assim: Morre Pencas, morre! Pim! 

Publicado em 15 de Julho de 2013